Relatório sobre apagão será concluído até segunda-feira, diz ONS

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Operador Nacional do Sistema (ONS) trabalha com duas hipóteses para as causas do blecaute da semana passada e apontará em relatório sugestões para aperfeiçoar o sistema, afirmou nesta terça-feira o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp. O documento deverá ser concluído até segunda-feira e está sendo preparado pelo ONS após uma reunião técnica com agentes do setor elétrico, como empresas geradoras e distribuidoras de energia, e será apresentado ao Comitê de Monitoramento do Sistema Elétrico e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

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Segundo Chipp, o apagão que afetou 18 Estados na última terça-feira está ligado às condições climáticas. Uma das hipóteses é que a rede de transmissão tenha sido atingida por uma descarga atmosférica (raio) na noite do blecaute.

A outra possibilidade é que uma tempestade na região da subestação de Itaberá (SP) tenha comprometido o sistema de isolamento das linhas de transmissão e causado o curto-circuito na rede.

"Havia condições meteorológicas adversas e não precisa haver registro de raios para que algo possa acontecer", disse Chipp a jornalistas.

De acordo com ele, a queda de três linhas simultaneamente aconteceu em frações de segundo e nenhum sistema do mundo estaria preparado para a ocorrência.

Segundo Chipp, desde 2000 foram registradas nove contingências triplas no sistema elétrico, como na semana passada. Porém, nada aconteceu naquela ocorrência, uma vez que o intervalo entre elas foi em períodos administráveis pelo sistema.

"(As ocorrências anteriores) foram três pancadas com intervalos superiores a três segundos", declarou. "Desta vez, foi em intervalos muito pequenos. Se ficássemos sem duas linhas, nada aconteceria. Mas três linhas no intervalo como esse não tem como".

De acordo com dados do ONS, o primeiro curto-circuito foi registrado às 22:13:06 em uma linha de transmissão entre Ivaiporã e Itaberá. A segunda contigência aconteceu 13 milésimos e meio de segundo depois e a terceira, 3,2 milésimos de segundo depois.

Chipp destacou que, como o problema aconteceu na ponta da linha próxima à subestação de Itaberá, a ocorrência se torna ainda mais complicada, porque as linhas convergem perto da subestação.

"A ocorrência é de probabilidade raríssima. Não se planeja o sistema para lidar com uma contingência deste nível. É algo remoto e antieconômico", afirmou.

Chipp não descartou a possibilidade de um novo blecaute causado por um incidente semelhante. "Era algo impossível de se evitar. E nenhum sistema do mundo é imune a blecaute", disse.

O executivo confirmou que no dia do apagão, o ONS foi alertado sobre problemas climáticos nas linhas que transmitem energia de Itaipu e que a carga foi reduzida por conta do alerta feito pelo Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar). Porém, nenhum alerta foi feito pelo órgão no momento do apagão.

Entre 13h e 19h da última terça-feira, o sistema de alerta foi acionado pelo ONS e as linhas ligadas a Itaipu operaram com uma carga mais baixa.

Chipp descartou a possibilidade do apagão ter sido causado por falhas em equipamentos ou pela tentativa de invasão do sistema por hackers.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Edição de Bruno Marfinati)

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