BRASÍLIA - O relatório final da CPI dos Grampos, que vai ser lido nesta quinta-feira pelo relator Nelson Pellegrino (PT-BA), não deve pedir o indiciamento de nenhum dos envolvidos na operação Satiagraha. De acordo com Pellegrino, não há necessidade de se indiciar aqueles que já respondem por suas condutas na Justiça, como o banqueiro Daniel Dantas e o delegado Protógenes Queiroz.

Não pense que uma CPI possa ser medida por isso, por indiciar A, B ou C, disse. O que não tiver prova vai para autoridade competente para apuração. E o que já foi apurado, quem já está indiciado, não será objeto de indiciamento, disse.

A declaração deixa de fora dos possíveis indiciados Protógenes, que já responde por quebra de sigilo funcional e violação da Lei das Interceptações, e Daniel Dantas, que além de sua condenação por corrupção responde a diversos outros processos na Justiça.

Ela abriria uma brecha, contudo, para o indiciamento do ex-diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda. Apesar disso, Pellegrino admite que não vê indícios suficientes para denunciá-lo. Essa convicção, porém, irritou o presidente da CPI, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ).

Ele diz desde o mês passado que vai proferir um voto em separado ¿ que tal como o relatório precisa ser aprovado pela maioria dos membros da CPI ¿ pedindo o indiciamento de Protógenes e Lacerda, por falso testemunho à CPI, e de Daniel Dantas, por ter supostamente grampado adversários empresariais.

Não quero que a CPI seja usada pela defesa [de Dantas, Lacerda e Protógenes] para falar [em seus processos] que, se a CPI não indiciou, como o Estado pode? Falar que se a CPI não tomou essa atitude, não fez esse indicamento, ficou patente que [os acusados] não cometeram os atos ilícitos.

Com a leitura do relatório nesta quinta-feira a expectativa é que na próxima semana a peça seja votada.

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