Relatório associa violência no campo ao agronegócio

Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostram que, em Mato Grosso, quatro pessoas foram assassinadas em 2009 na luta pela reforma agrária, contra apenas uma em 2008. Em junho de 2009, dois sem-terra foram mortos a tiros por caminhoneiros devido ao bloqueio da BR-158.

Agência Estado |

Os manifestantes eram trabalhadores que foram despejados da Fazenda Bordolândia, por decisão da Justiça Federal de Mato Grosso, no final de março de 2009. Ainda de acordo com os dados da pastoral, em 2008, uma pessoa foi ameaçada de morte, enquanto 21 pessoas receberam ameaças em 2009.

Os números da violência no campo em Mato Grosso - tanto em relação à reforma agrária, quanto à questão indígena - estão ligados ao desmatamento pela expansão do agronegócio e à impunidade. Esta é a opinião do coordenador regional do Conselho Indigenista (Cimi), Gilberto Vieira. "Existe uma pressão por conta do agronegócio para garantir áreas para o plantio e a cria de gados", disse.

A pastoral também mostra que, em 2008, ocorreram 13 conflitos no campo e 1.487 famílias estiveram envolvidas em Mato Grosso. Entre elas, 31 famílias foram ameaçadas de expulsão (ação do poder privado) e 150 famílias foram despejadas mediante liminar de reintegração de posse (ação do poder público). Já em 2009, foram registradas 25 conflitos, envolvendo 2.997 famílias. Destas, 164 foram expulsas e 1.320 foram despejadas mediante liminar de reintegração de posse.

A região onde se registra maiores índices de violência fica ao norte de Mato Grosso, justamente nas áreas onde existe uma franca expansão dos agronegócio. "São áreas da União apropriadas de maneira ilegal e que hoje são disputadas pelos movimentos sociais legítimos", disse Antonio Carneiro, diretor do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra no Estado.

Ao contrário da violência praticada em Mato Grosso do Sul, a violência contra povos indígenas em Mato Grosso, de acordo com a opinião do coordenador do Cimi, acontece principalmente a partir de ameaças. Entre 2007 e 2009, foram registradas duas mortes ligadas a conflitos entre fazendeiros, madeireiros e os índios.

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