Relator no DEM do caso Arruda diz que fará julgamento político

BRASÍLIA (Reuters) - O relator que julgará o processo de expulsão da legenda do governador José Roberto Arruda (DEM) afirmou nesta quarta-feira que fará um julgamento político do caso e que seu relatório responderá a uma pergunta simples: Ele merece ficar no convívio do partido?. Procurador de Justiça aposentado, José Thomaz Nonô é ex-deputado federal. Parlamentar por 26 anos, presidiu na Câmara a sessão que cassou o mandato de Roberto Jefferson (PTB) no escândalo do mensalão petista, em 2005.

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Agora, julgará no próximo dia 10 o colega de partido, a quem promete não ouvir nem colher depoimentos para formular seu parecer.

"Vou responder a essa pergunta, mas não tem sentido conversar com o Arruda", disse ele à Reuters.

Nonô, como é conhecido em Brasília, disse ainda que não vai se debruçar sobre as denúncias contra Arruda, que estão sendo investigadas pelo Ministério Público, Polícia Federal e Superior Tribunal de Justiça. Ele passará a quinta-feira em Brasília coletando informações com dirigentes e lideranças do Democratas.

"Vou fazer um julgamento político. Esse é um processo claramente político."

Nesta tarde, o líder do DEM na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado --defensor da expulsão sumária em reunião da Executiva do partido na véspera--, adiantou a jornalistas que a maioria de seus membros votará pela expulsão.

"A conclusão vai ser exatamente a exclusão dele do quadro do partido."

José Roberto Arruda é acusado de chefiar um esquema de corrupção baseado em arrecadação de propina para si e para aliados políticos. O vice-governador, Paulo Octavio, também do DEM, foi implicado, embora não seja alvo de nenhum processo disciplinar.

Fontes do DEM disseram à Reuters sob condição do anonimato que, por não haver vídeo nem gravação que o incrimine, o partido não vai atuar, ao menos por enquanto.

O mesmo tratamento não será dado a Leonardo Prudente, igualmente do Democratas, presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal flagrado colocando dinheiro em uma de suas meias. Contra ele, deve haver pedido de expulsão, acrescentaram as fontes.

Se for expulso, Arruda perde legenda para concorrer à possibilidade de reeleição no ano que vem. Mais: perde o já desidratado apoio político e pode ser levado à renúncia do cargo, opção que ele mesmo negou cogitar.

(Reportagem de Natuza Nery e Maria Carolina Marcello)

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