Relator deve pedir arquivamento do processo contra deputado do castelo

BRASÍLIA - O deputado Sérgio Moares (PTB-RS), relator do processo contra o deputado Edmar Moreira (sem partido - MG) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, deve pedir o arquivamento da denúncia contra o colega.

Carol Pires |

Edmar Moreira ganhou repercussão nacional por ser dono de um castelo avaliado em R$ 25 milhões em Minas Gerais, e responde a processo por quebra de decoro parlamentar por ter usado a verba indenizatória paga pela Câmara para pagamentos em sua própria empresa de segurança. 

Na avaliação de Sérgio Moraes, a defesa do deputado Edmar Moreira é consistente ao alegar não ter cometido irregularidades no uso da verba, uma vez que não existia, à época, regra que impedisse o uso do dinheiro na empresa do próprio parlamentar.

Agência Brasil
Edmar Moreira responde por quebra de decoro
Depois do episódio das passagens aéreas, percebi que aqueles deputados que se diziam éticos bastaram pedir desculpas e a imprensa não falou mais nada. Olha o [deputado Fernando] Gabeira (PV-RJ), que é o lindo da imprensa. Ele usou passagem no exterior, pediu desculpas, e a imprensa achou lindo ele pedir desculpas, ironizou Moares, em entrevista.

Olha o Dagoberto (PDT-MS), se dizia o paladino da ética, o professor de Deus. Quando foram olhar, tinha 40 passagens para o exterior. Pediu desculpas, e a imprensa achou tudo bem, continuou.

O Conselho de Ética da Câmara marcou reunião para esta quarta-feira para tratar do processo contra Edmar Moreira. De acordo com o relator, os ex-primeiros-secretários Osmar Serraglio (PMDB-PR) e Inocêncio Oliveira (PR-PE) serão questionados sobre a existência de uma resolução que proibisse os parlamentares de pedirem ressarcimento para pagar serviços de sua própria empresa. Se o Inocêncio disser que não existia, acaba o crime dele [do Edmar Moreira], explicou o relator.

O relator da Corregedoria da Câmara que encaminhou o processo contra Edmar Moreira para o Conselho de Ética, o deputado José Eduardo Cardoso (PT-SP), disse que as empresas do deputado respondiam processo tributário e por isso não poderiam ter recebido dinheiro público, inclusive ressarcimento de verba indenizatória paga pela Câmara. Outra irregularidade apontada pela corregedoria é de que Moreira não possuía os contratos, nem os recibos para provar a real prestação dos serviços. Por isso, disse Cardoso, é possível que o serviço sequer tenha sido prestado.

Questionado se iria apurar esta última denúncia, o relator Sérgio Moraes alegou que não é possível provar nenhum gasto que os deputados alegam ter pagado para pedir ressarcimento. Alguém prova que os deputados abastecem o carro? Nada dá para provar. Então 512 deputados não são investigados e o deputado Edmar Moreira é jogado no rio para as piranhas comerem?, questionou.

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