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Relação com autoridades ajudou a manter grupo de Dantas, afirma a polícia

SÃO PAULO - Relatório de Inteligência Policial que dá suporte à ordem de prisão do banqueiro Daniel Dantas afirma que ele corrompe, faz espionagem empresarial - inclusive com interceptações telefônicas ilegais -, manipula a mídia e se prevalece de bom relacionamento com autoridades públicas para manter protegida a sua organização criminosa.

Redação com Agência Estado |

 

"O grupo Opportunity possui longa história, marcada por diversos fatos controversos e questionáveis. A aproximação com autoridades públicas, lobistas, jornalistas, grandes empresários, pessoas muito bem articuladas são assuntos sempre relacionados ao grupo e também são objeto da presente investigação, uma vez que as articulações nas mais diversas esferas públicas e privadas se faz necessário para que esta organização criminosa continue atuando de forma protegida", assinala o relatório 07/2008, da Polícia Federal, produzido a partir de interceptações nos sistemas de informática do Grupo Opportunity.

Dantas é acusado de desvio de recursos públicos, corrupção, fraude no mercado de ações, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e formação de quadrilha. "O que está em curso nessa investigação são práticas empresariais sujas e completamente complexas, envolvendo manobras contábeis para esconder o objetivo final do grupo, que seria o enriquecimento ilícito através de crimes contra o sistema financeiro", diz o documento.

Segundo a PF, "o enriquecimento ilícito do grupo é nítido, há prática de manobras de investimento com uso de informações privilegiadas, criações de inúmeras empresas, muitas delas são empresas de prateleira, utilizadas única e exclusivamente para operações de mútuo e AFACs (Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital), formando um complexo emaranhado que torna praticamente impossível a rastreabilidade do dinheiro da organização."

O relatório 07 destaca que a cadeia societária "estrategicamente planejada" e controlada pelo banqueiro arrematou no leilão da telefonia fixa a Tele Centro Sul (atual Brasil Telecom) e na telefonia móvel a Amazônia Celular e a Telemig Celular sob corrupção de autoridades e espionagem empresarial. Para fechar negócios, Dantas teria criado "empresas de prateleira", registradas em nome de laranjas - incluindo sua mulher, Maria Alice Dantas - e operadas por testas-de-ferro, integrantes da cúpula do Opportunity.

AE
Daniel Dantas ao deixar a sede da PF em São Paulo na madrugada de hoje
Daniel Dantas ao deixar a sede da PF em São Paulo nesta manhã

Enriquecimento

Os federais cravam ainda que o enriquecimento ilícito do grupo provém do "controle empresarial de todo esse complexo societário criado" e destaca que "por trás de tudo encontra-se Daniel Valente Dantas". Pelo relatório, as empresas controladas pelo banqueiro eram alimentadas por fundos de investimento offshore, alocados no paraíso fiscal de Ilhas Cayman e criados a partir da união do Grupo Opportunity com o Citibank poucos anos antes do início da privatização do sistema Telebrás, em julho de 1998. "Nesta união ficou-se acordada a criação de fundos de investimento em Cayman para que os mesmos atuassem arrematando empresas de telefonia fixa e móvel no leilão que ocorreria em seguida."

O fato de os valores serem provenientes de paraísos fiscais, segundo a PF, sedimenta a hipótese de que o intuito de Dantas e do Opportunity era de proteger atividades ilícitas. "Cabe ressaltar que a organização possui inúmeras empresas offshore, a maioria em paraísos fiscais como Cayman, Bahamas e Montevidéu. A dificuldade encontrada por esta equipe de investigação demonstra eficiência da organização em preservar seus crimes."

O relatório registra que Dantas escolheu as Ilhas Cayman, em planejamento a longo prazo para arremate das empresas de telefonia. "A investigação identificou Daniel Dantas como sendo o alter ego do grupo, atua de forma extremamente discreta, pouco assinando documentos, falando ao telefone, enviando e-mails, porém o grupo atua conforme seus interesses", informa a PF. "Percebe-se que o controle do sr. Daniel Dantas sobre as empresas do Grupo Opportunity se exerce de forma indireta através de empresas de participações ou por interpostas pessoas como Verônica Dantas, sua irmã, e o sr. Dório Ferman, atuando como sócio oculto."

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