Para a diretoria da Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca), a recusa de suas contas e de outras entidades da reforma agrária pelo Tribunal de Contas da União (TCU) não está ligada apenas a questões administrativas. Quem diz isso é o advogado Patrick Mariano, porta-voz da entidade.

“Embora estejamos confiantes de que o TCU aprovará as contas da entidade, não podemos deixar de apontar que todos esses processos são fruto de uma ação política e não administrativa. Há um rigor diferenciado na análise dos projetos de entidades que desenvolvem trabalho com a população assentada, na área de educação e produção agrícola, em comparação à complacência enorme com entidades ligadas a setores da classe dominante. É preciso mudar isso.”

Segundo Mariano, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Terra, criada em 2004, adotou uma retórica preconceituosa em relação e à reforma agrária e isso influenciou o TCU em alguns casos.

“O problema é que as condenações sempre repercutem. Já das absolvições, ninguém fala”, disse ele, ressaltando que houve convênios aprovados. “A Anca desempenhou papel fundamental na melhoria das condições de vida de trabalhadores rurais, sendo agraciada com vários prêmios internacionais. Esperamos um julgamento justo do TCU e que a atuação conservadora da bancada ruralista não contamine os julgadores.”

Consultado na quarta-feira da semana passada sobre o assunto, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não se manifestou. Uma assessora informou apenas, de modo preliminar, que as entidades ligadas ao MST continuam a receber recursos do governo. O Ministério do Desenvolvimento Agrário também foi consultado, mas não comentou o assunto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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