BRASÍLIA - O reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Naomar Almeida, afirmou hoje (30) que vai pedir o afastamento do coordenador do curso de Medicina da instituição, o professor Antônio Natalino Dantas, de suas funções.

Em declarações, hoje (30), à imprensa nacional, o professor disse que o resultado negativo do curso no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) foi causado por deficiências de inteligência dos alunos baianos. Para ele, a nota 2 obtida na avaliação refletiria a inferioridade dos baianos e a política de cotas que estaria incluindo pessoas com baixo Quociente de Inteligência (QI) na universidade.

Em entrevista à Agência Brasil, o reitor da UFBA classificou as declarações do coordenador como lamentáveis e frontalmente opostas às políticas afirmativas da instituição.


Foram declarações extremamente infelizes. Além de não terem substância, têm problemas éticos sérios, são insensíveis em termos culturais e de uma ignorância antropológica imensa. Ele chegou a apontar o berimbau, um dos símbolos da matriz africana na cultura brasileira, como indicativo de deficiência dos baianos em geral. Essas opiniões o desqualificam como coordenador que está gerindo um programa de formação acadêmica com mais de mil alunos sob sua responsabilidade" afirmou.


O reitor explicou que não pode demitir o professor já que ele é funcionário público federal e essa seria uma prerrogativa do presidente da República, nem mesmo exonerá-lo do cargo, pois Dantas foi eleito por seus colegas de colegiado. Por esse motivo, o pedido de afastamento foi feito à coordenação da Faculdade de Medicina.

Fiz um requerimento à cooordenação da Faculdade de Medicina para afastá-lo da função de coordenador do curso e, se for o caso, a própria faculdade deverá abrir um processo administrativo disciplinar para avaliar se o conjunto de declarações infringiu algum regulamento do estatuto do servidor público, explicou.

De acordo com o reitor, além de opiniões individuais, as afirmações do coordenador representam posições reacionárias na instituição e na sociedade que resistem a processos de mudança, como o sistema de cotas. Segundo Almeida, um acompanhamento minucioso sobre as cotas na instituição comprova que os alunos admitidos pelo sistema de reserva de vagas têm desempenho pelo menos igual aos que ingressaram pela seleção geral.

Em nota divulgada na noite de hoje (30), a UFBA aponta que a hipótese mais provável para justificar o baixo desempenho dos alunos [no Enade] seria um possível boicote do movimento estudantil ao processo avaliativo, já que todos os cursos da instituição submetidos ao exame tiveram desempenho satisfatório, exceto aqueles cujo diretório acadêmico assumiu posição contrária à prova.

Ontem (29), o Ministério da Educação (MEC) anunciou a lista de 17 cursos de Medicina que serão supervisionados por causa de baixos conceitos obtidos no Enade, entre eles o da UFBA.

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