Reitor renuncia na UnB e MEC nomeará dirigente temporário

O reitor afastado da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland, anunciou neste domingo seu afastamento definitivo do cargo. Com a decisão, muito comemorada pelos estudantes, o ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que espera da comunidade acadêmica sugestões de nomes para o reitor temporário, que fará um mandato de até 180 dias e coordenará a eleição da nova reitoria.

Rodrigo Ledo ¿ Último Segundo/Santafé Idéias |

A renúncia de Timothy Mulholland ocorreu em meio à reunião de urgência realizada na tarde deste domingo entre o ministro da Educação e representantes de vários setores da UnB. Segundo o próprio ministro, a decisão foi apropriada porque o encontro tinha objetivo de resolver a falta de comando na instituição devido ao afastamento temporário de Mulholland e a renúncia de seu vice-reitor, Edgar Mamiya, divulgada neste sábado.

 O reitor anunciou sua renúncia numa comunicação verbal [por telefone], mas deverá ser formalizada até amanhã (segunda-feira), e a partir da renúncia do reitor e do vice-reitor está aberta a possibilidade da indicação de um reitor pro tempori (temporário), observou Fernando Haddad.

 Os estudantes comemoraram muito a renúncia. Ficamos muito felizes porque esta era uma das nossas principais exigências. Agora, esperamos que o ministro não nomeie nenhum interventor e que respeite a autonomia universitária. Queremos uma eleição paritária (na qual o peso dos votos dos estudantes seja equivalente ao de funcionários e professores) e um congresso estatutário (assembléia formada para revisar o estatuto da UnB), disse Danilo Silvestre, membro do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da universidade e da comissão de comunicação dos manifestantes.

Ocupação

 O ministro da Educação informou que irá esperar até o fim da tarde de terça-feira por nomes sugeridos pela comunidade universitária ¿ que inclui professores, funcionários e estudantes ¿ para oficializar o reitor temporário, e espera por uma indicação de consenso. Se esse entendimento não acontecer e vários nomes forem enviados, Fernando Haddad escolherá aquele com maior envergadura intelectual e capacidade administrativa, segundo suas próprias palavras.

 Não podemos deixar a instituição acéfala por mais tempo porque há muitas obrigações a serem honradas, como o pagamento de funcionários e bolsistas, ponderou o ministro. Ao ser questionado sobre a delicada situação da ocupação da reitoria pelos estudantes, disse que acredita na retirada espontânea dos alunos: Tenho absoluta certeza de que o novo reitor poderá trabalhar com sua equipe.

 Mas não é bem essa a visão dos representantes dos universitários presentes da reunião deste domingo. Segundo o Raoni Japiassú, membro do DCE e da comissão de comunicação dos manifestantes, a posição que ele e outros colegas defenderão na assembléia estudantil desta segunda-feira, às 12h, será a de não desocupar a reitoria até o compromisso do Conselho Universitário com a paridade nas eleições para a reitoria e a formação de um congresso estatutário.

 A desocupação vai depender da contemplação ou não dos dois pontos principais que permanecem, opinou Raoni.


    Leia tudo sobre: unb

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG