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SÃO PAULO - O reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ulysses Fagundes Neto, admitiu nesta quarta-feira, em entrevista coletiva, ter cometido erros no uso de seu cartão corporativo motivados por falta de orientação. Não recebi as normas por escrito, com instruções claras, afirmou.


Ele disse ter devolvido ao erário R$ 27.270 de despesas feitas em seu cartão no ano passado e consideradas irregulares pela Controladoria Geral da União (CGU).

Segundo ele, outros R$ 12.862 foram devolvidos em seis depósitos, desde 28 de dezembro do ano passado, sendo R$ 7.853 pagos ontem. Ele distribuiu aos jornalistas cópias dos comprovantes de pagamento feitos ao Tesouro Nacional. Sobre duas compras em farmácia, de R$ 614 e R$ 318, o reitor disse ter confundido o cartão corporativo com seu cartão pessoal. "Quando recebi o comprovante de pagamento, percebi o erro e providenciei a devolução do dinheiro."

Fagundes Neto admitiu os gastos com artigos esportivos na Alemanha e com um computador nos Estados Unidos. Ele disse ter acreditado que o cartão poderia ser usado em viagens como o dinheiro das diárias, antes recebido em espécie para gasto livre.

O mesmo equivoco teria levado o reitor a comprar duas malas na China por R$ 2.035. No entanto, ele afirmou já ter ressarcido o valor. "Precisei de malas novas. Depois de inúmeras conexões de vôos elas estavam se desmontando." Fagundes Neto disse que desde janeiro parou de usar o cartão corporativo para evitar novos erros. "Aprendi a lição", afirmou.

Estudantes

Apesar de um grupo de cerca de 50 estudantes ter batucado e gritado palavras de ordem do lado de fora de onde o reitor concedia a entrevista, Fagundes Neto afirmou não temer uma ocupação da Reitoria.

"Não temo invasão no meu gabinete, pois sempre tive um diálogo aberto com os estudantes e ainda prestarei a eles muitas explicações", afirmou. O reitor descarta a possibilidade de vir a ser afastado do cargo pelo mal uso do cartão. "Não há justificativa para afastamento, pois nada do que fiz foi por má-fé."

Cerca de trezentos estudantes dos cinco Campi da Unifesp se reunirão ainda nesta quarta-feira para uma assembléia geral em que serão debatidas formas de protesto. Será votada a possibilidade de ocupação da Reitoria. Para o coordenador-geral do DCE, Tiago Cherbo, as explicações do reitor foram insuficientes. "O reitor parecia não ter certeza do que estava falando e titubeou em suas declarações", disse. "Não foram justificativas concretas."

Na sexta-feira, Fagundes Neto vai se reunir com o Conselho de Entidades da universidade, formado pelo Diretório Central do Estudantes (DCE), sindicato dos servidores, associação dos professores e representantes dos alunos de pós-graduação da Unifesp.

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