Regressão de miopia é rara, mas pode acontecer

Regressão de miopia é rara, mas pode acontecer Por Por Adriana Cardoso São Paulo, 12 (AE) - O aposentado Luiz Gonzaga Bernardi, de 69 anos, foi míope a vida inteira e estava acostumado à companhia inseparável dos óculos bifocais (para longe e perto). Mas qual não foi o espanto dele quando, um dia, não colocou os óculos e viu que estava enxergando de longe? Fiquei surpreso.

Agência Estado |

Quando percebi fui ao médico e ele me disse que era normal", relembra. E é.

É mais comum que o indivíduo míope dispense o uso dos óculos depois de cirurgia de correção. Mas casos como os do aposentado, de uma mudança natural, podem acontecer. "A regressão espontânea é possível, mas não é comum", explica Samir Jacob Bechara, oftamologista do Hospital das Clínicas de São Paulo e livre-docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

A regressão da miopia pode ser natural, mas, às vezes, pode mascarar alguma mudança no organismo. Segundo Bechara, pode indicar erro de diagnóstico numa consulta anterior, sinal de alguma doença, como diabetes, ou gravidez. "O diabético pode ter variações bruscas de açúcar, o que pode alterar a lente do olho (cristalino), e a gravidez, como gera mudanças hormonais, também pode alterá-la." Nesses casos, no entanto, a mudança é transitória, conforme ressalta o médico. "Com a volta dos níveis normais de açúcar e o fim da gravidez, o grau de miopia pode voltar ao que era antes também."
Outro problema é o erro de diagnóstico. "Às vezes, a pessoa vai ao consultório e o grau muda e, como a mudança pode ser sutil, ela nem percebe. Por isso é bom ficar atento, usar o bom senso para perceber se o exame está sendo bem feito", explica Nilton Kara José Júnior, oftalmologista do Hospital Sírio Libanês de São Paulo e também livre-docente da Faculdade de Medicina da USP.

CÂMERA - Os problemas de visão surgem e regridem às vezes porque o olho, assim como o corpo humano, também cresce e passa por transformações. "Todas as pessoas, quando nascem, têm hipermetropia (dificuldade para enxergar de perto), porque o olho, quando nascemos, é menor. Como nosso corpo, o olho nasce completo, mas vai se ajustando no decorrer do tempo", explica Nilton Kara José Júnior.

Os olhos funcionam como uma câmera fotográfica. Atrás da pupila temos o cristalino, que é a nossa lente. Quando miramos um objeto os raios de luz atravessam todas essas estruturas e vão ao fundo do olho, onde está a retina, que é um prolongamento nervoso que leva a imagem para que o cérebro a interprete. Numa visão normal a imagem dos objetos, tanto próximos como distantes, forma-se diretamente na retina. O cristalino acomoda-se a fim de reproduzir uma imagem nítida.

Na hipermetropia, a retina não consegue ajustar-se na focalização de uma imagem, porque o globo ocular é menor que o normal. A visão vai parar atrás da retina. Daí a dificuldade de ver os objetos com nitidez de perto.

Conforme o olho vai se desenvolvendo junto com o crescimento humano, a curvatura do olho vai se ajustando, fazendo com que a hipermetropia desapareça normalmente. Se persistir o problema, pode ser corrigido com óculos ou cirurgia. "O ajuste definitivo ocorre aos 22 anos de idade", diz Kara.

Na miopia, o processo é inverso. Em vez de curto, o prolongamento do olho é grande. No míope, a imagem é focada antes de chegar à retina. Por isso a dificuldade de se enxergar bem de longe. O problema geralmente aparece quando há excessivo crescimento da curvatura do cristalino, da córnea, do globo ocular ou a combinação de todos esses fatores. Esse problema normalmente aparece na adolescência, segundo Kara, lá pelos 15 anos.

A partir dos 40 anos, o cristalino vai se transformando, mudando sua configuração, ficando mais opaco (catarata). E é nessa idade que vem as transformações mais fortes, segundo Kara. Quem nunca usou óculos, nem para perto nem para longe, pode ter de passar a usar. Ou, embora mais raros, alguns sortudos, como Luiz Gonzaga Bernarde, podem aposentá-los.

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