Região atraia garimpeiros até os anos 1970 Por Paulo Liebert* Amajari (RR), 21 (AE) - Durante muito tempo, entre as décadas de 1930 e 1970, a região atraiu milhares de garimpeiros - e apenas eles. Hoje, a Serra do Tepequém, no município de Amajari, em Roraima, é procurada por turistas apaixonados por trekking, cachoeiras, saltos de paraquedas e pelos que desejam contemplar as montanhas em um voo de parapente motorizado.

As décadas de exploração do garimpo deixaram suas marcas na forma de crateras abertas no solo durante os anos de exploração desordenada de diamantes. Alguns garimpeiros ainda resistem, como Fânio Pereira da Silva, de 64 anos, que sobrevive da coleta manual de pequenos pontos de ouro e diamantes, extraídos esporadicamente, e dos bicos em fazendas.

Silva conheceu os tempos áureos do garimpo por ali. Hoje, precisa da ajuda dos amigos da Vila do Paiva, comunidade habitada por cerca de 250 pessoas. Lá, a energia elétrica vem de um gerador, que interrompe o fornecimento durante a madrugada. Há um único orelhão. Celular, nem pensar.

As casas simples se distribuem pelas poucas ruas do vilarejo. A principal leva à pista de pouso de onde decola o avião para o salto de paraquedas e o voo de parapente.

A Vila do Paiva é também ponto de partida para o tour a pé até o alto da Serra do Tepequém, com pouco mais de mil metros de altitude. A caminhada tem duração de cerca de quatro horas, ida e volta. O nível de dificuldade é baixo, porém exige disposição e condicionamento físico mínimos. Pelo caminho se vê muitas orquídeas e aves como o carcará.

Do alto da serra, rochas enormes à beira de um precipício servem como um mirante natural. Você vai precisar do acompanhamento de um guia para chegar a essa paisagem deslumbrante. E vale lembrar: um par de tênis pré-amaciado, óculos de sol, protetor solar e chapéu de abas largas são acessórios indispensáveis durante a caminhada.

Outras trilhas que o turista pode fazer a partir da vila levam às Cachoeiras do Paiva, do Sobral e do Funil. Esta última ganhou o nome ainda na época do garimpo, pelo formato que adquiriu em razão das explosões de dinamite feitas pelos trabalhadores na busca por diamantes.

NOS ARES
Após sobrevoar o vale ao pé da serra, que, dizem, foi a cratera de um vulcão, extinto há milhares de anos, o piloto leva o parapente motorizado para muito perto dos gigantescos paredões da serra. Respire fundo, abra bem os olhos e curta ao máximo o visual. O próximo passo é ganhar ainda mais altura e alcançar a visão de todo o platô de Tepequém.

Lá de cima a vista é magnífica - e logo a apreensão inicial, causada pela aparente fragilidade do parapente, dá lugar a uma extraordinária sensação de leveza.

Onde fica: a Serra do Tepequém está no município de Amajari, a cerca de 180 quilômetros de Boa Vista, por via asfaltada
Hospedagem: os sete chalés da Pousada Tepequém (0--95- 9963-8207) têm cama de casal e beliche. A diária custa R$ 120 para duas pessoas
Voo de parapente: com a Ruta Salvaje (www.rutasalvaje.com), o sobrevoo
custa R$ 100 e dura 20 minutos

*O repórter viajou a convite do Sebrae

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