Reforma vai devolver traço oriental à Liberdade, em SP

O bairro da Liberdade, reduto de imigrantes de descendência oriental, no centro de São Paulo, vai voltar a ter as características perdidas com a entrada em vigor da Lei Cidade Limpa. Em vigor desde o começo do ano passado, a legislação obrigou o comércio a retirar as placas e letreiros orientais, tirando parte do charme da região.

Agência Estado |

Com a assinatura ontem de um termo de cooperação entre a Prefeitura e o Instituto Paulo Kobayashi, o bairro voltará a ter identidade, com a criação do Caminho do Imperador, cujas obras começam em dez dias.

No lugar dos letreiros, será a arquitetura quem resgatará o clima oriental. O projeto do arquiteto Marco Lupion vai revitalizar os prédios das ruas por onde passou o imperador Akihito, do Japão, durante sua visita há 11 anos - incluindo a Tomás Gonzaga e a Galvão Bueno. Lupion explica que cada fachada será redesenhada e terá um projeto diferente do prédio vizinho. A idéia é levar em conta a etnia do dono do prédio - coreana, chinesa ou japonesa. “São 150 fachadas, como se fosse um grande shopping center cultural”, comenta o arquiteto, que se inspirou na experiência de 15 anos como monge budista e num mestrado em arquitetura oriental para desenvolver o projeto da Liberdade.

Praças, jardins e calçadas também serão reformadas. Na Praça Almeida Junior, por exemplo, será erguida uma estátua de Buda de 6 metros de altura. Quatro viadutos do bairro vão homenagear três nacionalidades presentes na Liberdade: o Viaduto Cidade de Osaka e o Mie Ken terão referências à cultura japonesa; o Shunei Uetsuka será um tributo aos chineses; e o Guilherme Almeida vai homenagear os descendentes coreanos.

A reforma deve começar pela Praça da Liberdade e será patrocinada pelo Bradesco. Até o posto policial da praça vai ganhar características da arquitetura oriental. As demais intervenções dependem de acordo com a iniciativa privada. O termo de cooperação prevê a aprovação do projeto pela Prefeitura. A captação de recursos ficou sob responsabilidade do Instituto Paulo Kobayashi, que precisa procurar empresas interessadas em patrocinar a idéia. Em troca, elas vão ganhar o direito de explorar a publicidade local. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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