Reforma tributária precisa ser votada, diz governador da Bahia

BRASÍLIA (Reuters) - A disputa política entre governo e oposição não deve prejudicar a tramitação da reforma tributária, afirmou na quinta-feira o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). O governo tenta aprovar a reforma na Câmara antes do recesso de fim de ano, mas a oposição obstrui os trabalhos para impedir que a proposta seja apreciada pelo plenário. O projeto foi aprovado na semana passada pela comissão especial criada na Câmara para analisar o assunto.

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"O salutar é não fazer uma disputa governo e oposição. Esse tema diz muito mais respeito à relação de Estados entre si", afirmou o governador a jornalistas depois de um evento no Palácio do Planalto. "Se politizar esse debate, é um prejuízo para o país."

Reforçando o coro dos parlamentares governistas, Wagner afirmou que o período de discussões da reforma já expirou. "O debate já foi longo. O consenso a que já se chegou eu considero bastante razoável, porque nunca vai se chegar a um consenso 100 por cento", disse o governador, defendendo que a reforma seja colocada em votação.

Apesar de dizer que os governadores do Norte e do Nordeste apóiam a proposta, Wagner defendeu o reforço do fundo de desenvolvimento das regiões mais pobres do país e do mecanismo que compensará as eventuais perdas de arrecadação de Estados e municípios.

"É uma aposta em um sistema muito mais inteligente do que aí está. O sistema tributário que está aí hoje produziu todas as desigualdades de que nós todos reclamamos", argumentou.

Perguntado se o governo de São Paulo terá de ceder para viabilizar a votação da proposta, o governador baiano afirmou que todos serão prejudicados se o projeto não for aprovado. "Se ninguém quiser perder nada, todos vão perder tudo, por que o sistema que está aí não presta."

Por outro lado, Wagner revelou que não deverá acolher a demanda do governo federal de adiar a cobrança do Simples em seu Estado. Devido à crise financeira global, o Executivo tenta convencer os Estados a darem um alívio no caixa das empresas.

Segundo o governador, a Bahia já está oferecendo outros incentivos fiscais ao empresariado. "Tenho muita dificuldade, mas sempre estou disposto a sentar para conversar", afirmou.

(Reportagem de Fernando Exman)

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