O presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), disse hoje acreditar que a reforma tributária poderá ser aprovada ainda dentro do seu atual mandato. Temer fez esta e outras afirmações durante entrevista que concedeu com exclusividade à Rádio Eldorado, do Grupo Estado , na qual fez um rápido balanço dos trabalhos legislativos ao longo dos primeiros seis meses do ano.

Ele foi eleito para o biênio de 2009 a 2010.

O fato de não ter conseguido aprovar a reforma tributária é o único ponto que leva o deputado a tecer críticas ao trabalho do Legislativo. Ele lembra que quando foi presidente da Câmara, nos anos de 1988, 1999 e 2000, quase foi aprovada uma reforma tributária. A reforma só não vingou porque no momento final verificou-se que havia dificuldades com o governo, o que tornou impossível levar adiante.

"Agora, tem um projeto pronto, mas é um projeto que tem enfrentado algumas objeções, por exemplo, daqui do Estado de São Paulo, que acha que vai perder receita. Tem objeções de contribuintes e de alguns outros Estados. Eu tenho dito que vamos levar adiante a reforma tributária, mas é preciso se compatibilizar, ainda que minimamente, os interesses de todos os setores envolvidos", afirmou.

E quais são os interessados? Primeiro, de acordo com o deputado, é o contribuinte e em segundo lugar os Estados, municípios e a União, que não podem perder receita de maneira brutal, porque desta forma não se consegue administrar o País. "Então é preciso compatibilizar estes interesses. Sendo compatibilizados, eu creio que ainda é possível, e eu apreciaria muito, fazer a reforma tributária na minha gestão", diz o presidente da Câmara.

Reforma Política

Em relação à reforma política, Temer diz estar se empenhando muito para que seja aprovada, mas que diante de tantos embaraços, passou a pregar a ideia de adiar para daqui a cinco anos. Perguntado se 2014 não ficaria muito distante, o deputado diz não considerar porque, politicamente, se tornaria mais viável. "Para a vida de um país, quatro ou cinco anos, do ponto de vista político, não é tanta coisa assim."

Sarney

Para Temer, o presidente do Senado, José Sarney, está fazendo o possível para contornar uma crise que não é dele. "Trata-se de uma crise que não é derivada apenas dele, é uma crise mais institucional. Ele tem tomado providências nesta direção. De vez em quando se fala na hipótese de ele se afastar por 30, 60 dias... Eu tenho falado para ele que a volta, após 30 ou 60 dias de afastamento, é para exercer um poder sem poder. É voltar sem nenhuma capacidade de governabilidade. Então, se for para fazer isso, é melhor renunciar de uma vez", disse.

O presidente da Câmara Federal, no entanto, disse acreditar que Sarney vai superar este momento com muita tranquilidade, "como é do seu feitio". "Sarney é um homem muito moderado. Às vezes as pessoas se esquecem disso, mas a ele se deve a passagem para a democracia. Ele apanhou o governo naquela tragédia da morte de Tancredo Neves e o conduziu democraticamente e soube apoiar a Constituinte que criou uma constituição muito democrática, muito participativa. Então quando se diz que ele tem história não é inverídico. Ele tem história mesmo! Eu acho que esta história merece um certo respeito", critica Michel Temer.

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