A disputa na cúpula do PSDB se espalhou pela bancada tucana na Câmara dos Deputados. A reeleição hoje do líder do partido na Câmara, José Aníbal (SP), para comandar a bancada por mais um ano deixou os deputados tucanos em pé de guerra.

Aníbal foi reconduzido ao cargo com 36 votos a favor. Inconformado, um grupo de 19 deputados divulgou nota acusando Aníbal de "golpista e antidemocrático", abriu dissidência e criou o Movimento Unidade, Democracia e Ética contra a reeleição do líder.

"Para mim, o que eles falam é irrelevante. Não conseguiram vetar a reeleição e fazem nota", reagiu Aníbal. No comunicado, os dissidentes afirmaram que a reeleição foi "ato típico de regimes autoritários". Argumentaram ainda que a mudança nas regras, na véspera da eleição, para permitir mais um mandato consecutivo, "é inaceitável para um tucano que tenha ética e respeito ao estatuto do partido". Os dissidentes anunciaram que não aceitarão a orientação do líder do PSDB, "por considerar ilegítima sua eleição", e que terão uma atuação "independente" na Câmara.

O grupo contrário à recondução de Aníbal alegou que o estatuto do PSDB não permitia duas reeleições consecutivas e que as regras foram mudadas na véspera da escolha. "Mudar as regras 12 horas antes da eleição é golpe", afirmou o deputado Vanderlei Macris (SP). "A condução da bancada no último ano foi de pouca oposição. Estamos manifestando inconformidade", disse o deputado Arnaldo Madeira (SP), que no ano passado disputou e perdeu a liderança do PSDB para o atual líder. "Aníbal teve uma atitude chavista", acusou Madeira, em uma referência ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que quer perpetuar-se no governo.

Os aliados de Aníbal minimizaram o racha na bancada da Câmara. "É uma questão de tempo. Tudo vai se resolver. O ideal era que essa divisão não tivesse ocorrido. Mas as magoas pessoais não podem interferir na causa maior, que é o fortalecimento do PSDB em 2010", disse a deputada Raquel Teixeira (GO).

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