Os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais) disseram na tarde de sexta-feira ao iG que a proposta de redução de 44 para 40 horas semanais da jornada de trabalho, aprovada pelo 4° Congresso Nacional do PT, é do partido e não do governo.

"O governo ainda não tem posição quanto a isso", disse Bernardo. Segundo ele, a decisão cabe ao Congresso Nacional.

"O PT vai defender isso no Congresso, mas a posição que vai valer é a dos senadores e deputados", disse ele, sobre o Projeto de Emenda Constitucional que tramita no Congresso.

Segundo Padilha, a proposta é do PT. "Isso aqui (o 4° Congresso Nacional do PT) não é um programa para o governo. É uma proposta que será debatida com os demais partidos e setores da sociedade", afirmou.

A redução da jornada foi aprovada como diretriz do programa de governo do partido nesta sexta-feira. A proposta original da Executiva Nacional da legenda propunha a "construção de um consenso para lograr a jornada de trabalho de 40 horas," ante as atuais 44 horas semanais.

Alguns líderes do partido tentaram alterar tal passagem do texto a fim de amenizar seu tom. No entanto, a maioria dos delegados petistas aprovou emenda que adicionou ao texto uma passagem que criou o "compromisso com a defesa da jornada de trabalho de 40 horas semanais sem a redução de salário".

"Só tem viabilidade se for acompanhado de uma negociação com o setor produtivo, como por exemplo com redução tributária", argumentou à Reuters a líder do governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), antes da votação.

"Aprovar neste congresso (do PT) não será grande dificuldade, mas tem que aprovar no outro Congresso (Nacional)."

Uma proposta de emenda constitucional (PEC) sobre o tema tramita na Câmara, mas ainda não há consenso para sua votação.

As diretrizes do programa de governo do PT são as propostas que serão apresentadas pelo partido às outras legendas que integrarão a campanha à Presidência da República da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), para montarem o programa de governo da coalizão.

Esquerda

O governador do Sergipe, Marcelo Déda (PT), nega que as propostas da sigla apontem para um eventual governo de Dilma mais à esquerda que a administração Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, as diretrizes a serem aprovadas pelo congresso do PT sinalizam que a campanha da ministra defenderá a continuidade com avanços.

"Esse programa de governo não reflete a Dilma, reflete o PT. Não é um bolo que a Dilma oferece ao PT, é um bolo que o PT oferece à Dilma", explicou o governador.

"Dilma é a expressão desse governo e o que ele tem de compromisso."

Com informações da Reuters

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