Recuperação da barragem custa R$ 11 milhões

O custo de recuperação da fissura na Barragem Algodões 1, segundo o governador Wellington Dias (PT), é de R$ 11 milhões. As fissuras alcançam cerca de 50 metros de largura na parede de contenção e a barragem agora está seca.

Redação com agências |

Os municípios atingidos pela enxurrada vão receber R$ 750 mil do governo estadual para o atendimento de obras de emergência. De acordo com a assessoria do governo, R$ 500 mil serão repassados para Cocal e R$ 250 mil para Buriti dos Lopes.

O prefeito de Cocal, Fernando Sales, disse que o plano de trabalho prevê a reconstrução de casas, estradas, escolas e postos de saúde. Mas isso só começará a ocorrer depois do resgate de todas as vítimas.

Seis mortos no total

Subiu para seis o número de mortos após o desabamento de uma barragem na região de Algodões 1, no município de Cocal, Piauí.

O sexto corpo resgatado é de Maria Andreina Pereira, uma criança de seis anos, e foi encontrado na localidade de Franco. Sete pessoas já foram localizadas com vida e três seguem desaparecidas.

O quinto corpo foi  encontrado por volta das 6h desta sexta-feira e é de José Francisco Alves dos Santos, de 36 anos, morador da comunidade Angico Branco, para onde o corpo deve ser levado.

Na quinta-feira, a Polícia Militar confirmou a morte de quatro pessoas na área atingida pelo rompimento. Uma das vítimas é uma senhora da comunidade Boíba. Foram anunciadas também as mortes de um senhor na faixa dos 60 anos, de uma adolescente de 14 anos, e da menina Maria Francisca, de 12 anos.

Divulgação
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Barragem após o desabamento

De acordo com dados da Defesa Civil do Estado, já são 953 os desalojados, há 2 mil desabrigados e 80 feridos leves. No total, 2.953 famílias foram afetadas e 120 casas destruídas. Foram disponibilizados dez abrigos para as vítimas.

Nesta sexta, foi anunciada pelo governo a liberação de R$ 750 mil para a região afetada pelo rompimento da barragem.

Rompimento

De acordo com o governo do Estado, na tarde desta quarta-feira, dez milhões de metros cúbicos de água escaparam instantaneamente por um rombo de quatro metros na parede da barragem, originando uma onda devastadora com dez metros de altura. Outros 40 milhões de metros cúbicos escorreram devagar pela abertura, que aumentou para 50 metros.

O diretor-geral do Instituto de Desenvolvimento do Piauí (Idepi), Norbelino Lira de Carvalho, disse que o rompimento de Algodões 1 aconteceu após uma chuva de 106mm durante 4 horas na região da represa. Acontece uma chuva dessa intensidade sobre uma barragem já fragilizada e em recuperação, em época atípica, quando não costuma mais chover nessa região. Além disso, choveu muito no Ceará, onde está a nascente do Pirangi. Posso dizer que foi um acidente da natureza, afirmou.

A cidade de Cocal está sem energia elétrica desde as 20h desta quarta-feira, sendo que a Companhia Energética do Piauí (Cepisa) cortou a luz, considerando que dezenas de postes foram carregados pelas águas. A previsão é de que o serviço seja reestabelecido no sábado.

A empresa Água e Esgotos do Piauí S/A (Agespisa) enviou água potável para a região e, para garantir que o abastecimento na cidade continue, instalou dois geradores por causa do corte no fornecimento de eletricidade.

AE
Imagem da Barragem Algodões 1, antes do rompimento

O sinal de telefonia celular foi restabelecido no local por uma operadora. Em caráter emergencial, dez escolas e ginásios de esportes já estão funcionando como abrigos provisórios.

Foi um verdadeiro tsunami, reconheceu o governador do Estado, Wellington Dias, depois de sobrevoar a área. 

Cerca de 2,5 mil famílias tinham sido retiradas do local por precaução, e retornaram na última semana por determinação do engenheiro responsável pela obra, Luís Hernane de Carvalho.

O procurador da República Kelston Lages informou que o Ministério Público Federal está colhendo informações sobre o caso. O Ministério Público do Estado também avalia se a responsabilidade pelo rompimento da barragem é do engenheiro ou do Estado.

iG
Região de Buritis dos Lopes e Cocal

A presidente da Empresa de Gestão de Recursos do Piauí (Emgerpi), Lucile Moura, informou que o governador determinou a criação de um comitê técnico para avaliar o ocorrido.

Segundo ela, também foi determinado pelo governador que a Secretaria de Segurança instaure um inquérito para apurar as responsabilidades pelo rompimento da estrutura.

Mais de 100 militares, entre bombeiros e policiais de Teresina e de Parnaíba, foram enviados para o local, assim como cinco helicópteros para ajudar no resgate das pessoas que estão em áreas isoladas.

A Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, já disponibilizou cestas e alimentos, material de limpeza e colchões, cobertores, travesseiros e filtros.

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