Reconstituição de sequestro de Eloá acontece nesta quarta-feira, às 11h

SÃO PAULO - Policiais da delegacia seccional de Santo André confirmaram que a reconstituição do sequestro das meninas Eloá Pimentel e Nayara Silva ocorre nesta quarta-feira, às 11h. As jovens foram mantidas reféns por Lindemberg Alves, de 22 anos, durante mais de 100 horas, no caso de cárcere privado mais longo do Estado de São Paulo. Está confirmada a presença de Nayara na reconstituição, mas Lindemberg ainda é dúvida.

Amanda Demetrio - Último Segundo |

A garota Nayara Silva, 15 anos, chegou por volta das 11h ao apartamento onde a polícia faz a reconstituição do caso. A mãe da Eloá, Ana Cristina Pimentel, o irmão Douglas Pimentel e a advogada do Lindemberg, Ana Lúcia Assad participam da reconstituição.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), vários profissionais acompanham o trabalho da polícia: um legista, um fotógrado, dois desenhistas, quatro peritos do Intituto de Criminalística, um conselheiro tutetar, a psicóloga e a assistente do advogado da Nayara. Dois oficiais do Gate, ainda de acordo com a SSP, devem participar do trabalho que deve durar cerca de oito horas.

O advogado da Nayara, Marcelo Augusto de Oliveira,  afirmou que "a reconstituição deve esclarecer o motivo da invasão da polícia". Disse ainda que o trabalho da perícia está caminhando bem e que é importante para a defesa e para a acusação esclarecer o que aconteceu no dia do crime.

Durante a invasão dos policiais do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) ao seu apartamento, no último dia 17 de outubro, Eloá levou dois tiros. A menina chegou a ser socorrida, mas não resistiu e morreu. Nayara também foi ferida na operação, mas foi operada e passa bem.

O principal ponto a ser esclarecido com a reconstituição do caso é se Lindemberg atirou nas meninas antes ou depois da invasão da polícia. O coronel Eduardo José Félix, um dos responsáveis pela operação, afirma que um primeiro disparo teria sido dado pelo jovem e feito com que a polícia decidisse entrar no cativeiro.

Já Nayara, que estava no local durante a invasão, afirma que não houve disparo antes da entrada da polícia . De acordo com a menina, o jovem estava "arrumando cadeiras" no momento em que o coronel diz que ele deu o primeiro tiro.

Despedida

Após ter a morte cerebral decretada no dia 19 de outubro, Eloá foi enterrada , no dia 21, acompanhada por mais de 12 mil pessoas, pelas estimativas da Polícia Civil de Santo André. Pelo menos 27 mil pessoas, entre amigos, familiares e desconhecidos, passaram pelo velório da menina durante quase dois dias. No local, o clima foi de revolta e tristeza. Cartazes e faixas foram pendurados no cemitério, com mensagens como "Descanse em paz, Eloá" e "Vai com Deus".

AE
Multidão acompanha velório e enterro de Eloá Pimentel em Santo André
Multidão acompanha velório e enterro de Eloá Pimentel em Santo André

Roberta Fiorestino, de 15 anos, que estudou com a jovem, disse que não imaginava que isso podia acontecer. "Ele [Lindemberg] buscava a Eloá na escola todos os dias quando eles namoravam. Eles se davam super bem". Ela ainda disse que Eloá era muito querida e amiga de todos. Roberta acredita que a volta à escola será muito difícil. "Vamos olhar para a sala e não veremos ela".

Diego Vinícius, de 16 anos, que também estudou com Eloá tem uma opinião diferente sobre Lindemberg. "Ele batia nela, tinha ciúmes das roupas que vestia, da internet", conta. Sobre se, como a mãe da menina, os amigos estavam dispostos a perdoar, ele disse que "não consigo perdoar, o que ele fez não está certo". 

Lucas Santana dos Santos, de 13 anos, que estudou na mesma escola que a adolescente, disse que "lá do céu, Eloá está olhando pra gente. Muita gente que não conhecia ela direito está aqui para prestar uma última homenagem, porque ela era muito querida".

As portas da sala de velório foram abertas à população, mas mesmo os amigos próximos da garota tiveram de passar rapidamente pelo local, pressionados por policiais da Guarda Municipal. A segurança foi feita por oito viaturas da Guarda Municipal e oito da PM. O fluxo no local era de até 40 pessoas por minuto.

Entenda o caso

O sequestro começou na segunda-feira, dia 13 de outubro, em Santo André (SP). Lindemberg invadiu o apartamento de Eloá por volta das 13h30, por estar inconformado com o fim do relacionamento com a estudante.

No dia seguinte, ele libertou a amiga da ex-namorada, Nayara, que foi rendida novamente na manhã de quinta-feira (16). Seu retorno foi pedido pelo sequestrador como condição para a libertação de Eloá, mas, quando a menina entrou no apartamento, se tornou refém de novo.

Arquivo pessoal

Arquivo Pessoal

Nayara e Eloá em foto de arquivo pessoal

Pouco antes do desfecho do sequestro, a equipe do Batalhão de Choque da PM estava posicionada no apartamento ao lado onde estavam Lindemberg e as reféns. De acordo com a polícia,  na sexta-feira (17), os agentes decidiram invadir o apartamento após ouvirem um disparo.

Os policiais arrombaram a porta do apartamento e explodiram uma bomba de efeito moral. Segundo o coronel Eduardo José Félix, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, neste momento a equipe ouviu três disparos vindos de dentro do apartamento.

Ao invadirem o local, exatamente às 18h08, os policiais encontraram o sequestrador de pé, entre a sala e a cozinha. Eloá estava caída baleada na cabeça e Nayara estava com um ferimento na boca.

A primeira a sair do apartamento foi Nayara, que saiu caminhando e foi colocada numa ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Lindemberg foi levado para uma viatura da Força Tática. A ex-namorada de Lindemberg saiu carregada por um policial e foi levada numa maca até a ambulância do Samu. 

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