Reconstituição da morte de Isabella pode durar até 10 horas

SÃO PAULO - A reconstituição do assassinato da menina Isabella Nardoni, que foi jogada do 6º andar do prédio onde o pai e a madrasta moravam na zona Norte de São Paulo, deve durar cerca de 10 horas, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo. A reconstituição está marcada para acontecer no próximo domingo (27). A polícia não deu mais detalhes de como será reconstituída a cena do crime. Indiciados pelo crime, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina, não são obrigados a participar da reconstituição. Nesta quarta, o avô, Antônio Nardoni, a tia de Isabella, Cristiane Nardoni, e dois moradores do edifício onde aconteceu o crime, prestaram depoimento.

Luciana Fracchetta, do Último Segundo |

  • Arte: veja passo a passo o que mostram os laudos sobre a morte
  • Veja vídeo: Em depoimentos, Antônio e Cristiane Nardoni negam ter limpado a cena do crime
  • Em entrevista ao "Fantástico", casal se diz inocente


    Agência Estado
    asasasasas
    Depoimento de avô e tia teve muita confusão
    Segundo fontes da Polícia Civil, que tiveram acesso ao Distrito Policial, Antônio e Cristiane teriam negado que esconderam provas que possam incriminar Alexandre e Anna Carolina, que não retiraram e nem modificaram nada no apartamento do casal após a morte de Isabella. A polícia investiga a hipótese de que uma terceira pessoa tenha alterado o local do crime. Ainda segundo as fontes, Antônio e Cristiane teriam ficado em locais separados dentro do distrito policial e não teriam tido contato durante os depoimentos prestados.

    Cristiane, irmã de Alexandre,  também teria prestado esclarecimentos sobre um telefonema recebido na noite do crime, 29 de março, quando estava em um bar. Testemunhas contaram à polícia que ela teria dito que o irmão (Alexandre) "teria feito uma besteira". Ela nega ter feito tal comentário.

    O depoimento do pai e da irmã de Alexandre Nardoni causou muita confusão nesta quarta-feira. Os dois saíram de casa e chegaram ao distrito policial sob protestos de pessoas que pediam "justiça". Na saída, após prestarem depoimentos, houve nova confusão. Um homem - identificado pela polícia como João Mendes da Silva, de 65 anos - foi detido depois que bateu com uma bolsa no carro onde estavam Antônio e Cristiane.

    Laudos

    Os advogados que defedem o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá tiveram acesso, nesta quarta-feira, aos laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC). Eles foram anexados ao inquérito sobre a morte de Isabella. As informações foram confirmadas pela Secretaria de Segurança Pública.

    Eles chegaram ao 9° Distrito Policial, no Carandiru, por volta das 11h15 e afirmaram que foram ao local para tentar obter "uma cópia dos autos", que ainda não tinham conseguido.

    Na tarde de terça-feira, a polícia adiou a divulgação dos laudos, que seriam apresentados em entrevista coletiva à imprensa. "Achamos mais oportuno que se adiasse a exposição dos detalhes para que houvesse uma análise pormenorizada dos laudos", afirmou o diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), Aldo Galeano.

    O que as investigações revelaram

    Até o momento, o que foi revelado pelos laudos do IC é que havia

    AP
    Caso Isabella chega a sua fase final
    sangue no carro de Alexandre, no apartamento do casal e no sapato de Anna Carolina. A polícia sabia, desde o início das investigações, que havia sangue no carro de Alexandre, mas preferiu manter a informação em sigilo para não atrapalhar o encaminhamento do caso e confundir a defesa do casal. Durante a investigação, chegou até mesmo a anunciar que não era sangue a mancha encontrada no veículo.

    De acordo com a polícia, havia sangue no encosto do banco do motorista, no assoalho do veículo e na lateral da cadeirinha de bebê. No apartamento, o sangue teria sido encontrado do hall de entrada até o quarto dos filhos do casal. Exames confirmaram que o sangue é de Isabella Nardoni.

    Trilha de sangue - o laudo também apontou que havia uma trilha de sangue na cena do crime que o assassino tentou disfarçar. Ela começava no carro de Alexandre e continuava a partir da entrada do apartamento. Por isso, a perícia chegou à conclusão de que Isabella chegou ferida ao apartamento do 6º andar do Edifício Residencial London.

    A trilha de sangue foi produzida por pingos que caíram de uma altura de 1,2 ou 1,3 metro de altura, o que é compatível com a altura do pai da menina. O rastro começa no carro de Alexandre, o Ford Ka estacionado na garagem do 2º subsolo do prédio, e só foi revelado após a aplicação do luminol (substância química que destaca manchas invisíveis a olho nu).

    Além da porta do apartamento, a trilha continuava, passando ao lado da mesa com seis lugares e do sofá de couro preto. Em seguida, os pingos mostraram que o assassino de Isabella levou a menina no colo pela sala onde estava a tevê de plasma de 50 polegadas até o corredor em direção dos quartos.

    Uma gota foi identificada, por exemplo, na frente da porta do banheiro. O criminoso entrou na primeira porta à esquerda - o quarto de Cauã e Pietro, que fica antes do de Isabella. Ele pôs Isabella em cima da cama enquanto cortava a rede da tela de proteção, daí a mancha de sangue no lençol encontrada no quarto.

    Pegada de chinelo - foi então que o assassino escorregou e pisou no lençol da cama. É ali que foi encontrada a pegada característica do chinelo que Alexandre usava na noite do crime.

    Tela cortada - a tela foi cortada rapidamente com uma faca e com uma tesoura - na roupa de Alexandre havia partículas de naílon da tela. Isabella foi segurada pelas mãos a 20 metros de altura. Foi solta primeiro pela mão esquerda e depois pela direita. Havia uma mancha de sangue em forma de dedos de criança a 5 cm do parapeito da janela.

    Marcas no pescoço - os peritos também constataram que as marcas no pescoço da menina foram provocadas por esganadura. Pela extensão e o tipo das lesões internas, tudo leva a crer que a compressão foi feita por alguém não tão forte.

    Reprodução/ TV Globo
    Quarto de onde Isabella foi jogada
    Versão do pai - o fato de Isabella ter chegado ferida ao prédio desmente o álibi do pai. Em seu primeiro interrogatório, Alexandre afirmou que ela estava bem quando chegou ao prédio. Isabella dormia. Alexandre afirmou que levou a menina no colo até o quarto dela. Alexandre contou à polícia que levou Isabella sozinho até o apartamento enquanto sua mulher e seus dois outros filhos aguardavam na garagem. Segundo ele, quando voltou ao apartamento encontrou a tela da janela rompida e a criança havia sido jogada.

    Arrombamento e invasão - não havia sinais de arrombamento no apartamento nem de uma possível invasão do prédio. Os peritos usaram um homem de 1,9 m de altura para exemplificar que seria impossível que alguém escalasse o muro dos fundos do prédio para entrar no imóvel. Concluíram que não havia possibilidade de que uma terceira pessoa tivesse invadido o prédio e matado a menina.

    A trilha de sangue no apartamento foi desfeita às pressas pelo criminoso. O que ele não contava era que o rastro de gotas de sangue e a presença de manchas na fralda fossem detectadas pelo uso do luminol.

    Os peritos também analisaram as fitas de vídeo do sistema de segurança do Edifício London e do prédio em frente. Em nenhum momento foi observada a presença de pessoa estranha ou veículo entrando no prédio no dia do crime.

    Portanto, os dois únicos adultos que estavam no apartamento naquela noite eram o pai e madrasta da menina. Essa certeza se deve ainda a um dos princípios de toda perícia criminal: todo contato deixa uma marca. Nenhuma outra pessoa deixou marcas dentro do apartamento além dos dois acusados. Todas as marcas e vestígios no lugar foram feitos pelo casal e pelas três crianças.

    O caso

    AE
    Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto.

    No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

    O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

    O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas, disseram esperar que "a justiça seja feita".

    *Com informações da Agência Estado

    Principais notícias sobre o caso:

    VÍDEOS DO CASO ISABELLA

    Laudos

    Depoimentos

    Prisão

    Reprodução

    Isabella em vídeo

    OPINIÃO

    Leia mais sobre: caso Isabella


    • Leia tudo sobre: caso isabella nardoni

      Notícias Relacionadas


        Mais destaques

        Destaques da home iG