Recife bane bugues, limita esportes e monitora espetinhos

Governo aperta o cerco para ajudar turistas, mas acidentes e casos de intoxicação ainda são comuns nas praias da cidade

Renata Baptista, especial para o iG |

Em qualquer estação do ano, as praias do Recife atraem milhares de pessoas. No verão, a multiplicação de turistas não aumenta só a renda da cidade, mas também o número de armadilhas para os visitantes. É quando a diversão tem grandes chances de virar dor de cabeça, de barriga ou coisa pior. Em outubro deste ano, por exemplo, uma estudante de 20 anos morreu e os dois adolescentes que a acompanhavam ficaram gravemente feridos após serem atropelados na praia de Maracaípe, no município de Ipojuca (litoral sul de Pernambuco), por um bugue irregular. Casos como esse tem levado os governos a endurecer as leis e a fiscalização.

Por decreto estadual, é proibido o tráfego de veículos automotores, triciclos, motos e até bicicletas em qualquer ponto da orla, com exceção apenas dos veículos utilizados no auxílio da patrulha da praia pela Polícia Militar.A penalidade a ser aplicada ao motorista flagrado na orla depende do município onde acontece a infração. Em Ipojuca, por exemplo, é aplicada multa de 10 salários mínimos e apreensão do veículo.


Apesar da proibição, é comum ver bugues circulando em praias de outros municípios. Em Recife, há barreiras físicas que impedem a entrada de veículos na orla. Mesmo assim, em dias de maior movimento, é comum ver carros estacionados na praia do Pina com o som ligado. A dica, nesse caso, é evitar a área, pois mesmo sem o risco de ser atropelado, o volume destes sons costuma ser inconveniente.

Esportes

Caso a ideia seja praticar esportes, é melhor escolher outro local. O surfe está proibido em um trecho que inclui os 8,5 quilômetros da orla de Recife devido aos ataques de tubarão registrados no Estado desde os anos 90. Nos últimos 18 anos, Pernambuco registrou mais de 50 ataques de tubarões, com ao menos 20 mortes. Mesmo com o número de ataques caindo, o Corpo de Bombeiros está autorizado a recolher as pranchas de surfistas que driblem o decreto.

Também por decreto estadual é vetada a prática de futebol e frescobol em todos os dias da semana dos meses de janeiro, julho e dezembro, entre 8h e 16h. Apenas os esportes realizados em espaço de areia livre, devidamente delimitado como campo ou quadra, são liberados.

Levar o bichinho de estimação para a praia também está fora de cogitação, sob risco até de apreensão do animal.

Comércio ambulante

Curtir a praia bebendo uma cerveja gelada e comendo um bom aperitivo é um dos sonhos de consumo de quem visita o Recife. Opções não faltam. De acordo com a prefeitura, existem mais de 2.000 comerciantes atuando na orla e há programas específicos para ensiná-los a preparar a comida em boas condições de higiene. No entanto, é fácil encontrar pessoas que passaram mal com os petiscos da praia.

Foi o caso do servidor público Romero Mariano, de 43 anos. Segundo ele, desde que comeu um camarão ao alho e óleo que provocou indisposições gastrointestinais, ele leva à praia o que vai comer.“Geralmente trago salgadinhos industrializados, aí só compro a cerveja”, afirmou Mariano.

Em Recife, a cerveja e demais bebidas só podem ser comercializadas e consumidas em recipientes plásticos ou latas, segundo decreto municipal. Os alimentos não podem ser preparados na praia, e sim em locais com as condições adequadas, com água corrente. O comércio de ambulantes no calçadão também é proibido.

Para o cozinheiro Dalvancy Bastos, o “Dado”, de 44 anos, que trabalha há seis meses em um quiosque instalado no calçadão da avenida Boa Viagem _a praia mais famosa de Recife_ as exigências da prefeitura são muitas, mas a fiscalização é pouca. Ele, que tem como carro-chefe de suas vendas os espetinhos de carne, diz que recebeu a capacitação, mas nunca foram fiscalizar os seus alimentos. “Tento fazer o melhor pelos meus clientes, por isso cuido da higiene de meu estabelecimento”, disse Bastos.

Com uma barraca na areia da praia há 23 anos, Sebastiana Maria de Freitas, de 61 anos, afirmou que suas vendas caíram quando ela deixou de preparar peixe frito para só vender cachorro-quente pré-preparado. “No último feriado, que sempre vendia bem, tirei só R$ 63”, afirmou.

A comerciante Mônica Gomes, de 34 anos, mesmo ciente dos riscos, disse que muitas vezes prefere ir a praias de municípios vizinhos, como a de Piedade (em Jaboatão dos Guararapes), onde as restrições são menos severas.

“Hoje estou aqui tomando cerveja em lata e comendo cachorro-quente, mas prefiro beber cerveja de garrafa e comer um peixinho frito”, explicou Gomes.

Mesmo com a proibição, alguns comerciantes encontraram formas de continuar o comércio de alimentos feitos na hora na praia. A saída que vem sendo mais utilizada é comprar o alimento preparado em algum ponto do comércio da região e revendê-lo por preços mais caros aos banhistas.

A Prefeitura de Recife informou que a fiscalização do comércio ambulante na praia é feita por 20 técnicos da Diretoria de Controle Urbano, e que este número, a partir de janeiro, será ampliado para 50.

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