Recibos de panetones podem ter sido forjados

Estão sob suspeita os recibos da compra de panetones, principais documentos da defesa do governador José Roberto Arruda para justificar a imagem do vídeo em que aparece recebendo R$ 50 mil, em notas de R$ 100, das mãos de seu ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa. O vídeo foi gravado quando Arruda ainda era candidato ao governo do DF, e Barbosa seu caixa de campanha.

iG São Paulo |

Empresários distribuem dinheiro

Sem data de emissão, sem timbre e escritos em linguagem que foge aos padrões dos recibos, os documentos apresentam indícios de que foram produzidos às pressas e em data recente, depois que a investigação da Operação Caixa de Pandora havia vazado.

Arruda, por meio do secretário de Ordem Pública, Roberto Giffoni, disse no sábado que os R$ 50 mil eram colaborações de empresários para comprar panetones e brinquedos que seriam distribuídos às crianças carentes.

No depoimento que deu à polícia, em 22 de outubro, já na condição de réu colaborador, Barbosa disse que o dinheiro entregue a Arruda era um repasse regular, coletado a partir da cobrança de propinas nos contratos públicos, para "despesas pessoais" do governador.

Em um dos recibos apreendidos nas buscas, sexta-feira passada, o governador acusa o recebimento de R$ 20 mil de Barbosa e diz que o dinheiro é "para pequenas lembranças e nossa campanha de Natal". Como se estivesse fazendo uma prestação de contas, o recibo acrescenta uma estranha explicação para o destino do dinheiro: "como fazemos todos os anos, os panetones e brindes foram entregues nas creches, asilos e associações de idosos." Os recibos estão passando por perícia do Instituto Nacional de Criminalística.

Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, desta quarta-feira, Arruda reafirmou que o dinheiro era para comprar panetones. "Todo final de ano, eu faço programas sociais, visito creches, asilos, as periferias das cidades, levo cestas básicas, panetones, o que virou piada até, mas eu faço isso. E vários empresários doam também, o Carrefour doa, pessoas físicas e jurídicas. Ele me fez nesse dia uma doação de livre e espontânea vontade. Não fez apenas naquele ano, fez em outros anos também. Por que gravou? Não sei. Já com alguma má fé naquela época, talvez. Mais tarde fui alertado desses problemas, fiz um registro oficial ao Tribunal Regional Eleitoral não apenas com a doação dele, mas com a doação de todos aqueles que durante 10 anos de uma maneira ou de outra contribuíram nas minhas campanha sociais. Entendem os meus advogados que, embora a imagem seja forte, horrível, de qualquer maneira juridicamente eu estou coberto", afirmou.

Sobre os recibos, Arruda afirmou, em entrevista ao Correio Braziliense, que eles já estavam prontos "há anos". "O problema é que ele, o Durval, por alguma razão nunca ninguém tinha entregue para ele os recibos, aí eu entreguei. Aí ele disse: ih, mas eu não vou ter como colocar isso no imposto de renda. Aí eu falei: mas isso é um problema do senhor".

Apontado nas investigações como operador de Arruda junto às empresas que prestam serviços ao governo, o empresário Renato Malcotti será convocado a depor nos próximos dias por saber do destino do dinheiro arrecadado e da história dos panetones. Malcotti não foi encontrado.

(*com informações da Agência Estado)

Escândalo no Distrito Federal

Entenda

Inquérito da PF

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