Por Aluísio Alves SÃO PAULO (Reuters) - A Bolsa de Valores de São Paulo fechou a volátil sessão desta sexta-feira no vermelho, arrastada pelas preocupações do mercado com sinais cada vez mais fortes de recessão global.

Pressionado pela queda das ações de bancos e da Petrobras, o Ibovespa perdeu 0,57 por cento, para 35.789 pontos, depois de ter beirado 2 por cento de alta e 3 de baixa.

A magnitude do sobe-e-desce constante foi potencializado pelo giro financeiro curto, 3,1 bilhões de reais, o menor em 11 semanas, mesmo sendo a sessão que antecede o geralmente movimentado vencimento de opções.

Na maior parte do dia, o Ibovespa operou na contramão de Wall Street. Pela manhã, o índice doméstico resistiu à pressão negativa externa. Com as bolsas nova-iorquinas ampliando o movimento de baixa, o principal indicador da bolsa paulista virou e não voltou mais ao azul.

"Os investidores estão muito sem referência. As ações estão muito depreciadas e chamam compradores. Mas logo que sobem, saem notícias negativas e eles preferem realizar lucros", disse Edison Roberto Marcellino, diretor da corretora Finabank.

E motivos para se manter na ponta vendedora mais uma vez não faltaram, diante de fartos sinais de queda nas vendas das empresas, desemprego e redução de investimentos.

A Nokia, maior fabricante de telefones celulares do mundo, reduziu as projeções de vendas para 2009. Os países da zona do euro entraram em recessão no terceiro trimestre. E fontes informaram que o Citi está para anunciar um corte de 10 por cento de seus empregados na semana que vem.

Diante de tudo isso, os preços de commodities seguiram ladeira abaixo, arrastando consigo as ações de algumas das principais empresas da Bovespa. Petrobras desceu 1,6 por cento, a 20,76 reais. Usiminas perdeu 4,7 por cento, cotada a 21,80 reais.

Para completar, algumas companhias ampliaram o pessimismo dos investidores, seja divulgando resultados trimestrais abaixo das expectativas ou desfazendo planos de investimentos.

Eletropaulo, a pior do índice, despencou 9,2 por cento, para 26,78 reais, depois que a distribuidora paulista de energia anunciou que seu lucro líquido no terceiro trimestre foi 25 por cento menor do que em igual período do ano passado.

Cyrela perdeu 4,6 por cento, para 7,40 reais. A construtora avisou pela manhã que reduziu sua previsão de lançamentos e vendas em 2008, em virtude do cenário econômico internacional.

Entre as exceções do dia, Vivo disparou 8,8 por cento, para 24,49 reais. A companhia foi apontada pelo Morgan Stanley como uma de suas preferidas na América Latina na área de telefonia, num cenário de forte contração econômica prevista para o ano que vem.

Na semana, o Ibovespa acumulou uma queda de 2,4 por cento. enquanto no mês a baixa está em 3,9 por cento.

(Edição de Alexandre Caverni)

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