Recaída do ânimo com EUA leva Bovespa a maior tombo em 5 semanas

Por Aluísio Alves SÃO PAULO (Reuters) - Temores de aprofundamento da recessão global, somado ao ceticismo com os pacotes anticrise nos Estados Unidos para salvar bancos e montadoras, sacudiram os mercados acionários internacionais nesta terça-feira, levando a Bovespa para sua maior queda diária em 5 semanas.

Reuters |

Arrastado pelas perdas acentuadas nos setores financeiro e de commodities, o Ibovespa afundou 4,77 por cento, para 39.846 pontos. O giro financeiro da sessão foi de 4,28 bilhões de reais.

Novos sinais de desaceleração global, incluindo declarações pessimistas do novo ministro de Finanças do Japão, enquanto nos Estados Unidos Nova York reportou queda recorde da produção fabril, já desenhavam um dia negativo nas bolsas.

"Ainda reina muita desconfiança dos investidores com os bancos e as montadoras nos Estados Unidos, o que não foi debelado com os pacotes do governo", disse Ricardo Tadeu Martins, gerente de pesquisa da corretora Planner.

Diante disso, o mercado deu de ombros para a sanção do presidente Barack Obama ao pacote de estímulo fiscal de 787 bilhões de dólares para tentar tirar a economia da recessão.

E como se não bastassem os indicadores econômicos, os investidores ainda enfrentaram novos sinais de deterioração de dois dos setores da economia mais atingidos pela crise.

De um lado, o estado de ânimo com as montadoras voltou às raias do desespero, movimento temperado pela queda de mais de 10 por cento das ações da GM, com investidores temendo que a companhia esteja cada vez mais perto da falência.

O prazo para que GM e Chrysler apresentem um plano de reestruturação para se credenciar a nova ajuda do governo dos EUA termina nesta terça-feira.

No setor bancário, além do persistente ceticismo quanto à eficácia do plano de socorro do Tesouro dos EUA para salvar gigantes do país, os investidores repercutiram um relatório da Moody's manifestando preocupação com a solidez de bancos em algumas regiões da Europa. O setor puxou o principal índice acionário europeu para o menor nível em 3 semanas.

Esse pano de fundo se alastrou também para os mercados de commodities, que acrescentou pressão sobre as blue chips da Bovespa. Petrobras caiu 5,44 por cento, para 26,40 reais, depois de a cotação do barril do petróleo ter desabado quase 7 por cento, para baixo dos 35 dólares.

Vale tombou 6 por cento, para 29,06 reais, arrastando consigo todo o setor de siderurgia.

Entre as raras altas do dia, Light subiu 1,91 por cento, a 25,02 reais, depois que a distribuidora fluminense de energia reportou resultados do quarto trimestre de 2008 acima do esperado pelo mercado, devido a eventos não-recorrentes.

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