Reajuste de 16% oneraria 92,5% da receita da USP, diz reitoria; sindicatos negam

Se a proposta de reajuste salarial de 16% dos professores e funcionários for aceita, a parcela do orçamento da Universidade de São Paulo (USP) destinada às folhas de pagamento saltaria de 87,2% para 92,5%, afirma a reitoria. O sindicato dos funcionários (Sintusp) e dos professores (Adusp) contestam a projeção. Para eles, o montante passaria a representar 83,8% do total da receita. A reivindicação é a responsável pelo começo da greve de funcionários, iniciada dia 5 de Maio.

Bruno Rico, repórter do Último Segundo |


Os grevistas defendem um aumento de 16% nos salários e mais R$ 200 fixos. A conta inclui reposição da inflação dos últimos 12 meses (estimada em 6,05%) e mais 10% de reposição de perdas anteriores. Até o momento, a reitoria já deu o reajuste do período de 6,05% (retroativo a junho), mas alega que seu orçamento não suportaria tal aumento.

A verba destinada à USP é proveniente da arrecadação do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS). Do total do ICMS, 9,7% é dividido entre as universidades estaduais de São Paulo ¿ USP, Unesp e Unicamp. A USP fica com cerca de 5%. Em 2007, arrecadou quase R$ 2,4 bilhões.

Se aprovado o aumento de 16%, o piso salarial de um professor doutor passará de R$ 6.707 para R$ 7.337. Já de um Livre Docente, iria de R$ 7.997 para R$ 8.747. Entre os funcionários, o piso de um auxiliar de manutenção/obras, que é de R$ 1.136, iria para R$ 1.242. O mesmo vale para o cozinheiro. Já o jornalista ou bibliotecário da USP, que ganha, no mínimo, R$ 3.323, elevaria seu salário para R$ 3.635. Um secretário, que pode ganhar de R$ 1.678 a R$ 4.676, passaria a ganhar ao menos R$ 1.836.

Variações dos salários dos professores e funcionários da USP, se aumento de 16% for aprovado:

Professor doutor
R$ 6.707 para R$ 7.337

Livre Docente
R$ 7.997 para R$ 8.747

Cozinheiro / Auxiliar de manutenção e obras
R$ 1.136 para R$ 1.242

Jornalista / bibliotecário
R$ 3.323 para R$ 3.635

Secretário
R$ 1.678 para R$ 1.836

A Greve

As paralisações na universidade começaram com a reivindicação de aumento salarial dos funcionários no dia 5 de maio. Mas, após o confronto entre a Polícia Militar e manifestantes na Cidade Universitária (9/6), a greve ganhou a adesão dos professores e alunos e apresentou novas reivindicações. A principal delas, consenso entre os três setores, é a renuncia da reitora Suelly Vilela.

Os setores em greve pedem também a reintegração do funcionário demitido Claudionor Brandão, a saída da Polícia Militar (PM) do Campus e um reajuste salarial de 16% - reposição da inflação dos últimos 12 meses (estimada em 6,1%) mais 10% de reposição de perdas anteriores -, além de incorporação fixa de R$ 200. A reitora alega que o orçamento da universidade não suportaria semelhante aumento e afirma que, no momento, a PM está presente apenas no prédio da Reitoria. Aindam segundo a Reitoria, professores e funcionários já receberam o salário de junho com o reajuste de 6,05%.

Até está terça-feira (16/6), o 'bandejão' central da USP está fechado, assim como o CEPEUSP. Os ônibus circulares também não estão funcionando.

A reitoria afirma que apenas 10% dos funcionários (1500) estão paralizados. Um funcionário do "bandejão" e estudante de História contesta os dados. "Só no Coseas já há 400 parados. Na FFLCH, mais 350. Há ainda os da Prefeitura do Campus, do Cepeusp e da ECA, além das unidades que estão parcialmente paradas, como a FAU e a Educação, que estão sem biblioteca".

Retomada das negociações

O Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), do qual faz parte a reitora Suely Vilela, propôs para o dia 22 de junho, às 14h, uma reunião para retomar as negociações com o Fórum das Seis - entidade que congrega representantes dos professores, funcionários e alunos da USP, UNESP e UNICAMP.

As negociações estão paralizadas desde o dia 25 de Maio, quando a reitora se recusou a fazer uma reunião com a presença de pessoas e entidades que não faziam parte do Fórum das Seis, entre eles, o funcionário demitido Claudionor Brandão.

Funcionários punidos

O técnico em manutenção de refrigeração Claudionor Brandão trabalhava desde 1987 na USP e é um dos líderes da greve que na última terça-feira provocou o confronto entre funcionários e estudantes e a Tropa de Choque da Polícia Militar (PM).

Brandão foi um dos três manifestantes detidos por crimes de dano ao patrimônio público, desacato à autoridade e resistência à prisão. A readmissão do dirigente é uma das reivindicações da greve organizada pelo Sintusp.

Além da demissão de Brandão, outros quatro funcionários também estão sofrendo processos administrativos na Usp. Dois respondem pela ocupação da reitoria ocorrida em 2007 e, outros dois, por um piquete ocorrido neste ano.

Ainda, o Sintusp afirma que está sendo processado em R$ 356 mil por supostos danos causados ao prédio da reitoria durante a ocupação de 2007. O sindicato diz que arrecada R$ 80 mil por mês e entende que semelhante multa tem o "objetivo político" de inviabilizar suas atividades.

Apoio à reitora

Diretores de 38 faculdades, institutos, escolas e centros da Universidade de São Paulo (USP) divulgaram carta em apoio à reitora Suely Vilela e à presença da Polícia Militar no câmpus na última terça-feira. Dez unidades não assinaram o documento, entre elas a Escola de Comunicações e Artes (ECA), a Faculdade de Educação e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).

A carta, que foi preparada em reunião que chamou todos diretores de unidades, refuta a violência "seja por grevistas ou por policiais. E diz que grevistas devem preservar o acesso ao trabalho, sem ameaça ou dano às pessoas ou ao patrimônio público, "como os que geraram, em primeira instância, a necessidade das ações judiciais de reintegração de posse e a subsequente presença da polícia no campus.

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