Reação de Dilma a tratamento esquenta debate sobre Plano B

Por Natuza Nery BRASÍLIA (Reuters) - As dúvidas sobre o futuro eleitoral da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) levaram o PMDB a pedir uma reunião de emergência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assim que ele voltar do exterior, catalisando o debate sobre um possível plano B para 2010 entre políticos da base governista.

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No centro das especulações está uma proposta que permitiria um terceiro mandato a Lula. A tese, dizem políticos, enfraquece a pré-candidatura da favorita do presidente à sucessão.

Dilma recebeu alta do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, nesta quarta-feira, após ter sido internada na terça com dores nas pernas por conta do tratamento contra um câncer no sistema linfático.

A notícia da hospitalização, ocorrida menos de um mês após o anúncio da doença, foi recebida por aliados do governo como um alerta amarelo. Da China, Lula fez questão de negar modificação no quadro.

"Eu não discuto essa hipótese. Primeiro não tem terceiro mandato, segundo porque a Dilma está bem. Foi uma reação à quimioterapia", disse Lula em entrevista em Pequim nesta quarta-feira.

Todos os principais partidos também afirmam ter antipatia pela proposta do terceiro mandato e apontam difíceis condições políticas de aprová-la no Congresso. O que ninguém diz saber, no entanto, é de onde saiu o rumor de um novo mandato e a quem ou a que grupo ele serve.

A proposta de emenda constitucional (PEC) é de autoria do deputado Jackson Barreto (PMDB-SE), que divulgou querer apresentá-la até o final de maio.

"Isso está fora de cogitação. Nunca ouvi o presidente (da República) falar disso", afirmou à Reuters o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP).

Questionado sobre a motivação da proposta, o dirigente peemedebista respondeu: "Surgiu com a doença."

Maior partido brasileiro e aliado cobiçado pelo governo e oposição na corrida presidencial de 2010, o PMDB --formalmente na base aliada-- decidiu que está na hora de conversar mais uma vez com o presidente da República.

A cúpula do partido faz questão de reafirmar seu compromisso com Lula, não com Dilma, enquanto o presidente tentar garantir a legenda ao lado de sua candidata no ano que vem.

COTAÇÃO ELEITORAL

A internação da ministra também reforçou a cotação de outros possíveis candidatos, todos do PT. Na lista, o ex-ministro Antônio Palocci; o governador da Bahia, Jaques Wagner; e o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social).

"Nós não temos plano B, nossa candidata é Dilma Rousseff", afirmou o deputado Maurício Rands (PT-PE). "Não me parece positiva essa especulação", acrescentou.

Além de Dilma, a disputa entre PT e PMDB nos Estados está na pauta do encontro entre peemedebistas e Lula, previsto para ocorrer semana que vem.

(Reportagem de Natuza Neryi)

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