Coordenador de conferência sobre o tema que começa neste domingo diz que País é atingido 50 milhões de vezes por ano

A incidência de raios no Brasil vem aumentando, mas somente nas médias e grandes cidades urbanas, segundo o coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Osmar Pinto Júnior. Ele coordena, a partir do domingo, no Rio de Janeiro, a Conferência Internacional de Eletricidade Atmosférica (Icae 2011), que ocorre pela primeira vez no Hemisfério Sul.

Mark Humpage/Caters
Segundo especialista, incidência aumentou em grandes cidades
O Amazonas é o estado com maior incidência de raios: 20 milhões por ano. No entanto, considerando a relação entre o número de raios e a área dos estados, a liderança é do Mato Grosso do Sul. No país, a média de incidência é 50 milhões de raios por ano.

“Olhando o país como um todo, a incidência de raios não mostra uma tendência de aumento, apesar de os dados apontarem resultados muito importantes.” As informações da pesquisa serão apresentadas pelo coordenador do Elat/Inpe em palestra programada para a próxima terça-feira (9), na Icae 2011.

Em relação às mortes, o levantamento do Elat mostra que, na última década, 130 pessoas morreram, por ano, atingidas por raios. Não existe estatística oficial sobre feridos, mas a estimativa é que anualmente cerca de 300 pessoas sobrevivam depois de serem atingidas por um raio.

Osmar Pinto Júnior disse que em 2011, “atipicamente”, o número de mortes por raios está muito baixo, em torno de 60 ocorrências. “Esse número ainda vai aumentar, mas não deve ultrapassar 100 mortes. Ou seja, vai ficar bem abaixo da média da última década.”

O engenheiro explicou que 85% das mortes por raios ocorrem ao ar livre. A circunstância mais comum é a morte de pessoas trabalhando no meio rural, na lavoura, seguida por mortes em praias e estradas. O restante dos casos ocorrem dentro de casa. Os raios matam pessoas que falam em telefones sem fio, que tomam banho durante as tempestades ou que encostam em aparelhos ligados à rede elétrica, como geladeiras, por exemplo.

Em áreas descampadas as pessoas também correm mais risco de serem atingidas do que se estivessem em uma mata, onde o ponto mais alto são as árvores, e não a cabeça humana. “Em uma mata, você está coberto por árvores altas. Está mais seguro.” As árvores isoladas, no entanto, devem ser evitadas durante tempestades com raios, recomendou.

São Paulo ocupa a liderança em número de mortes por raios, “apesar de não ser o estado com maior incidência. Isso acontece por causa do maior contingente populacional, ou seja, tem mais gente para ser atingida e mais pessoas acabam morrendo”.

À exceção do Nordeste, onde é menor a incidência de descargas elétricas, todas as regiões brasileiras registram muitos raios. “E até no Nordeste a incidência está aumentando de três anos para cá.” As razões ainda estão sendo pesquisadas pelo Elat.

Na manhã de segunda-feira será realizada uma entrevista coletiva na Icae 2011, quando serão apresentados os principais avanços mundiais na área de eletricidade atmosférica e anunciados os resultados das pesquisas brasileiras.

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