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The Pacific relança polêmica histórica entre gregos, turcos e armênios

A exibição da minissérie The Pacific, superprodução televisiva de Steven Spielberg e Tom Hanks, reativou um debate histórico na Turquia sobre a origem do grande incêndio de Esmirna e as eventuais responsabilidades de gregos, turcos e armênios na destruição, em 1922, dessa rica e multiétnica cidade do Mar Egeu.

AFP |

No terceiro episódio da série, um dos personagens afirma que os turcos incendiaram Izmir, o nome turco da cidade.

A frase irritou os turcos, convencidos de que os gregos são os culpados pelo terrível incêndio que, em cinco dias, destruiu mais de um terço da cidade.

Esmirna era um porto próspero onde conviviam turcos, gregos, armênios, judeus e levantinos quando os griegos se apoderaram da cidade em 1919, depois que a Primeira Guerra Mundial selou o fim do Império Otomano.

Mustafa Kemal, fundador da Turquia moderna, reconquistou a cidade em setembro de 1922, depois de derrotar o Exército grego que havia avançado quase até Ancara. O incêndio aconteceu alguns dias mais tarde.

Vários meios de comunicação turcos criticaram a série americana. O canal turco turca CNBC-E, que deve exibir "The Pacific" este mês, já anunciou que censurará este diálogo, que "fere a nação turca".

"Um dos roteiristas (George Pelecanos) e a esposa de Tom Hanks são gregos. Não é de estranhar que tenham nos atacado", comenta um leitor no site de um jornal.

Nem a agente de George Pelecanos nem o canal HBO, que exibe a série nos Estados Unidos desde março, responderam às perguntas da AFP.

Segundo a tese oficial turca, os gregos queimaram Esmirna ao fugir da cidade. Os gregos, por sua vez, afirmam que os turcos a incendiaram para impedir que os cristãos voltassem à cidade.

Entre as milhares de pessoas que fugiram de Esmirna figurava Aristóteles Onassis, mais tarde um dos armadores mais famosos do mundo.

"São tantos os arquivos que é possível defender qualquer tese sobre a origem do incêndio", explica Erkan Serce, da Universidade Dokuz Eylul de Izmir.

"Nunca saberemos quem provocou o incêndio, mas sabemos que o Exército turco, que controlava totalmente a cidade, é responsável por não tê-lo apagado", acrescentou.

Os armêmios também se viram envolvidos na polêmica.

"Temos documentos que revelam que foram os armênios que provocaram o incêndio", afirma Oktay Gokdemir, diretor dos arquivos municipais de Esmirna, tese que é contestada pela pequena comunidade armênia da Turquia.

pe-ms/cn/fp

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