O escritor português José Saramago, de 86 anos, é um dos mais ardentes defensores do comunismo entre os intelectuais europeus. Dos poucos que ainda fazem esse tipo de assertiva após a revelação das barbáries cometidos pela União Soviética. Nesta sexta-feira, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o autor de Ensaio sobre a Cegueira ofereceu uma explicação sobre a sua posição ideológica.

"Eu sou o que se poderia dizer um comunista hormonal", disse o único escritor de língua portuguesa que já foi laureado com o Prêmio Nobel. Ele disse acreditar ter uma produção de "hormônio do comunismo", mas não gostou muito da pergunta.

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José Saramago
José Saramago
Afirmou que questionar alguém sobre o porquê de ele ser comunista hoje em dia equivale a perguntar a uma pessoa por que ela continua cristã após a Inquisição.

"Ser comunista é um estado de espírito", continuo ele, que viu seu "Ensaio sobre a Cegueira" se transformar em filme pelas mãos do cineasta brasileiro Fernando Meirelles.

Sobre o livro, aliás, afirmou: "A cegueira, como é chamada no livro, é uma cegueira histórica. A história da humanidade é um desastre contínuo, sem um momento de paz. Somos cegos pela razão porque a usamos para destruir a vida em todos os planos, não para expandi-la".

Para Saramago, a razão cegou a humanidade, que não usa o instinto como os animais. "Somos cegos pela razão porque a usamos para destruir a vida em todos os planos, não para expandi-la" 

Ele também criticou a Bíblia, que seria um "desastre" e repleta de "maus conselhos, como incestos, matanças", e a Igreja Católica: "O sonho da Igreja é transformar todos em eunucos, quer dizer, os homens, porque as mulheres não podem ser eunucas".

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