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Só quando eu danço , sensação brasileira em Tribeca, estreia em Londres

A saga de Irlam e Isabela, dois adolescentes brasileiros que lutam contra a adversidade para realizar seu audacioso sonho de se tornar dançarinos de balé profissional e escapar assim da pobreza e violência do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, chega nesta sexta-feira aos cinemas britânicos.

AFP |

"Só quando eu danço" ("Only When I Dance") é um documentário anglo-brasileiro dirigido pela britânica Beadie Finzi, que acompanha a vida de Irlam Santos da Silva e Isabela Coracy durante o ano em que se preparam com extrema dedicação e disciplina férrea para tentar a difícil oportunidade em uma companhia internacional de balé clássico.

Apesar de não ter conexões anteriores com o Brasil ou com o balé, Beadie Finzi se deixou convencer da necessidade de dirigir este projeto, no qual começou a trabalhar em 2005, apesar de demorar dois anos para encontrar os dois esforçados dançarinos já bolsistas do Centro de Danças Rio.

"Para mim era a oportunidade de contar uma história de esperança e ambição, uma luta contra a adversidade, e isso foi irresistível", explicou, em uma entrevista à AFP, a diretora da obra, que causou sensação e foi premiada no Festival de Tribeca de Nova York.

A diretora de "Unknown White Mail", indicado ao Oscar de 2006, se entregou ao projeto sem saber direito com o que ia deparar ao longo das filmagens.

"Essa é a maravilha e o risco de um documentário de observação. Pois ter uma ideia na cabeça da linha narrativa é um pouco como surfar sobre uma onda. É preciso estar preparado para os giros inesperados. Mas, felizmente, para nós a história se saiu bem", explicou.

As comparações com "Billy Elliot", o bem sucedido filme do britânico Stephen Daldry sobre um adolescente de uma zona mineira do norte da Inglaterra que nutre a mesma paixão pelo balé, são inevitáveis.

"Mas acho que o que esses meninos fizeram é muito mais impressionante. Eles cruzaram continentes, abismos financeiros e culturais. Nessa época em que proliferam os concursos televisivos é difícil entender a extraordinária magnitude do trabalho que realizaram".

Irlam, que então tinha 17 anos, cresceu numa das favelas mais pobres e violentas do Rio e, depois de ganhar o Prêmio de Lausanne, agora é membro da segunda companhia do American Ballet Theater (ABT II), que reúne muitos dos melhores bailarinos do mundo menores de 20 anos.

Além de enfrentar uma competição maior entre as mulheres, Isabela, de 16 anos, teve mais dificuldade por causa de sua pele negra e sua compleição atlética, para muitos inapropriada para a prática de balé. Ela, no entanto, foi aceita pela Companhia de Dança Deborah Colker.

"Só quando eu danço", falada totalmente em português, foi filmada, em sua maior parte, no Rio de Janeiro, cidade onde Beadie Binzi diz que deixou seu coração, apesar de ter encontrado muita dificuldade para filmar por causa da violência da favela.

"É muito fácil ser distraída por essas coisas, mas estava decidida a não deixar isso acontecer e fiquei apegada a minha história", destacou.

ra/cn

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