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Shakira do Curdistão faz sucesso e choca os conservadores no Iraque

Com seu ritmo pop, seu gingar dos quadris provocador e decotes pronunciados, Dashni Murad, mais conhecida como a Shakira do Curdistão, causa sensação nesta região autônoma do norte do Iraque, onde sua música causa uma verdadeira revolução nos costumes conservadores.

AFP |

O álbum desta jovem de 23 anos, longa cabeleira e cintura fina, faz o maior sucesso entre os jovens locais.

A influência da cantora colombiana de raízes libanesas é clara em seu trabalho e no videoclipe de uma de suas músicas, "Hela Hupa", ela aparece vestida com uma saia de lantejoulas, cabelos ao vento, e requebrado muito parecido com os da verdadeira Shakira.

"Eu me inspiro nela artisticamente, mas tento criar meus próprios movimentos", defende-se a arista.

Seus shows geram polêmica no Curdistão, uma região tribal muito conservadora, onde ainda predominam os crimes de honra e a igualdade entre homens e mulheres é um sonho perigoso.

Apesar de muitos curdos adorarem a novidade, outros se sentem incomodados pela ousadia que ofende sua cultura e o Islã.

"Ela se apresenta de uma maneira estranha. Talvez seja porque cresceu no Ocidente. Para os europeus, tudo bem, mas para nós, não. Ela vai destruir as bases de nossas comunidade", reclama Rasul Faqin, um funcionário público de 34 anos.

Até mesmo as associações feministas são contrárias à artista, por considerar que ela atenta contra a imagem da mulher.

"Nós nos opomos à utilização do corpo da mulher para atrair a atenção. Vai contra nossa política de defesa dos direitos da mulher e de sua emancipação", explica Susan Aref, da Organização pela Emancipação das Mulheres do Curdistão.

Dashni rebate estas críticas afirmando que, ao contrário, quer que sua música se converta num instrumento da cultura curda.

"Escolhi fazer isso porque acho que as pessoas, em particular os jovens, precisam de um estilo artístico novo para quebrar os tabus do passado".

Dashni Murad não é novata no Curdistão. Entre 2005 e 2007 ficou famosa apresentando o programa "Fora de controle", onde entrevistava os curdos residentes na Europa e falava sobre sua forma de vida no Ocidente.

Hoje apresenta outro programa, "Dashni Show", onde fala abertamente dos problemas que preocupam as mulheres, principalmente relações amorosas, um tema tabu na sociedade curda.

"O que a Dashni faz requer muita coragem. Nenhum artista curdo fez nada disso antes. É uma revolução para a nação curda", resume Hawzin Hama, uma jornalista de 36 anos.

"Antes nenhuma mulher se atrevia a falar do amor que sente por um rapaz, ou simplesmente do amor em si. Mas Dashni fala dessas coisas com coragem".

bur-aub/cn/fp

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