FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana; mso-ansi-language: PT-BRUm sentimento invade o meu ser, me faz parar, pensar e refletir... Por tudo que hoje vivo, eu posso afirmar: é a fé em ti que trago em mim que me ajuda a caminhar. Se até aqui cheguei, quero acreditar. Sozinho não iria suportar. Por tudo que passei, por tudo que vivi. Somente a minha fé pra me ajudar. FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana; mso-ansi-language: PT-BRFoi minha fé Senhor que me trouxe até aqui. Com fé em ti Senhor, sou mais forte e vou prosseguir. O sentimento que me envolve e me faz compreender. É o TEU amor que habita em mim e ME DÁ FORÇAS PRA VENCER...

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Ana Carolina e Isabella em foto de arquivo

O poema acima, Ana Carolina de Oliveira, de 24 anos, recebeu por e-mail de uma amiga logo após a morte de sua filha Isabella, de 5 anos, no dia 29 de março de 2008, e rapidamente colocou na sua página no site de relacionamentos Orkut.

O autor do poema é desconhecido, mas, para ela, não importa, ele reflete bem o seu atual momento de vida. Católica, Ana Carolina diz que é a fé que tem que está lhe ajudando a suportar tudo o que aconteceu. Sem fé, eu não conseguiria chegar a lugar nenhum, afirma. Tirei forças de onde nem sabia que tinha".

Um ano após a trágica morte de Isabella, jogada pela janela do 6º andar do Edifício London, na zona norte de São Paulo, Carol - como gosta de ser chamada - ainda não consegue definir como é acordar e não ver a filha ao seu lado na cama. Saber que ela não volta hoje é fato, mas suportar que é difícil. Mesmo depois de um ano, sinto como se fosse ontem. A presença e a falta que ela me faz são imensuráveis, diz, acrescentando que "tudo que faz lembra ela". "Cada detalhe - do jeitinho de falar, andar, dormir, acordar, abraçar, beijar e dizer eu te amo - tudo está em minha memória constantemente", diz.

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Ana Carolina chora em missa de um ano da morte da filha

E Carol não quer que seja diferente. O quarto onde as duas dormiam ainda está com as fotos e ursinhos de pelúcia no mesmo lugar. Guardei muitos desenhos que ela me fazia, material da escola, entre outras coisas, e sempre estou mexendo para recordar, afirma.

Aos poucos, ela tenta retomar a sua rotina. Ana Carolina voltou ao trabalho na parte interna de um banco da capital paulista e continua com a terapia para tentar compreender o que aconteceu. Aceitar o que fizeram com a sua filha ainda é muito difícil. Acredito que a palavra certa seja compreender e não aceitar. Com o tempo deve vir a compreensão e uma saudade ainda maior, considera.

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Ana diz que sempre mexe em fotos para lembrar da filha

Hoje, ela diz que procura ocupar a maior parte do seu tempo com o trabalho, mas não descarta a possibilidade de, no futuro, participar de alguma ONG contra a violência ou até mesmo criar uma associação que leve o nome de Isabella. Ainda não tenho um projeto, mas isso tem que ser algo bem elaborado e estudado a sério, explica.

Nas ruas, Carol dificilmente passa despercebida. Algumas pessoas se aproximam; outras, receosas, apenas olham e apontam. Ainda que de forma menos frequente, ela continua recebendo cartas e mensagens de apoio. Todas são guardadas de maneira muito especial, diz.

A jovem já está acostumada com o assédio, tanto por parte da imprensa, como de curiosos, e diz não temer a repercussão do caso com um ano da morte de Isabella.  O que pode ser pior do que não ter a minha filha?, pergunta, como quem não tem mais nada a perder.

Reservada, Carol evita falar sobre os acusados de terem assassinado Isabella, o ex-namorado e pai da menina, Alexandre Nardoni, e a sua atual mulher, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá. Os dois estão presos em Tremembé, no interior de São Paulo, e aguardam a data do julgamento.

Ela também prefere o silêncio quando questionada se ainda fala com os delegados Calixto Calil Filho e Elizabeth Sato, que cuidaram do caso, e sobre o que espera da Justiça com a proximidade do julgamento dos acusados. 

Eu apenas queria ser a mesma Ana Carolina e ter minha filha ao meu lado, finaliza.

Veja a cronologia do caso


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