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Restrepo e Winter s bone vencem o Festival de Sundance

Os filmes americanos Restrepo e Winters bone conquistaram na madrugada deste domingo o Grande Prêmio do júri do Festival de Sundance.

AFP |

"Restrepo", dos jornalistas de guerra Tim Hetherington e Sebastian Junger, mostra o inferno de um conflito armado através da vida cotidiana de um pelotão de 15 soldados americanos em uma das regiões mais perigosas do Afeganistão.

"Winter's bone", de Debra Granik, retrata uma adolescente que busca seu padre, um traficante de drogas.

Entre 2007 e 2008, Hetherington e Junger acompanharam o pelotão no vale afegão de Korengal, um bastião talibã na fronteira com o Paquistão.

A dupla compartilhava tudo com os militares: das condições de vida espartanas, entre o enorme tédio e a constante tensão, aos ataques dos insurgentes, em meio a raros momentos de leveza.

"De fato, nenhum jornalista jamais fez isto, sobretudo durante a duração de uma missão", destacou Hetherington no início do festival.

"Há 22 milhões de famílias americanas com filhos, irmãos ou cônjuges que estiveram ou estão no exército e querem saber como foi o que eles viveram. Este filme mostra isso", acrescentou.

"A ideia era fazer um filme apenas sobre a experiência dos soldados", explicou Junger, correspondente de guerra e escritor, autor do best-seller "Mar em fúria" ("The perfect storm"), que foi adaptado para o cinema com o ator George Clooney.

"Eles deixaram que nós entrássemos em suas vidas e aceitaram que filmássemos tudo. Nunca nos esconderam nada", afirmou Hetherington.

Os autores, por sua vez, também não escondem nada. Nem sequer a morte, que predomina nos primeiros minutos do documentário, com um ataque dos talibãs que custou a vida do médico do pelotão, Juan Restrepo, cujo nome será usado por seus companheiros para batizar uma posição avançada tomada dos insurgentes.

Apesar do perigo e da extrema violência de algumas situações, os autores nunca deixaram de filmar.

"Só desliguei a câmera uma vez, quando um homem começou a chorar enquanto falava de um de seus amigos, que havia morrido", admitiu Junger.

Já na categoria filme estrangeiro de ficção, o Grand Prêmio foi para o australiano "Animal Kingdom", de David Michôd, que segue os passos de uma menina nas mãos de uma família de familia de trapaceiros de Melbourne.

O prêmio para documentário estrangeiro foi para o dinamarquês "The Red Chapel", de Mads Brügger, em que um grupo de jornalistas se faz passar por uma companhia de teatro para se infiltrar no regime da Coreia do Norte.

O peruano Javier Fuentes León e seu "Contracorriente" levou o prêmio do público de melhor filme estrangeio de ficção.

"Estes prêmios celebram a diversidade do programa do festival este ano", assinalou o diretor de programação, Trevor Groth.

Mais de 110 filmes foram apresentados na 26a. edição do festival, inclusive a estreia de "Segredos da tribo", de José Padilha.

O Sundance Festival foi criado pelo ator e diretor Robert Redford para ser um contraponto com a produção comercial de Hollywood e uma vitrine para o cinema independente.

Grande Prêmio do Júri

- "Winter's Bone", de Debra Granik.

Grande Prêmio do Júri - Documentário americano

- "Restrepo", de Tim Hetherington e Sebastian Junger.

Grande Prêmio do Júri - Ficção estrangeira

- "Animal Kingdom", de David Michôd (Austrália)

Grande Prêmio do Júri - Documentário estrangeiro

- "The Red Chapel", de Mads Brügger (Dinamarca)

Prêmio Especial do Júri - Ficção americana

- "Sympathy for delicious", de Mark Ruffalo

Prêmio Especial do Júri - Documentário americano

- "GasLand", de Josh Fox

Prêmio Especial do Júri - Documentário estrangeiro

- "Enemies of the people", de Thet Sambath e Rob Lemkin (Camboja-Grã-Bretanha).

rr/cn

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