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Pressa de senadores levava a contratações irregulares, afirma Agaciel em depoimento

BRASÍLIA - O ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, disse em seu depoimento à Polícia do Senado que o grande número de cargos criados na Casa e a ¿pressa¿ dos senadores em ter seus funcionários trabalhando nos gabinetes tornaram impossível a realização da comunicação e a autorização formal para a contratação de servidores. A informação foi dada no inquérito que investiga a transferência da servidora Lia Raquel Vaz dos gabinetes do senador Demóstenes Torres (DEM-PI) para o do senador Delcídio Amaral (PT-MS) sem o conhecimento dos parlamentares.

Severino Motta, repórter em Brasília |


Uma determinação da Mesa Diretora diz que é preciso uma ordem expressa dos senadores para a contratação de servidores para os gabinetes. Mas, apesar da resolução 63/1997 exigir a comunicação formal para que os pedidos de nomeação, alteração e exoneração, na prática isso não seria possível pela grande quantidade de cargos comissionados criados posteriormente a essa norma e pela pressa ao início do exercício no interesse dos senadores, diz em seu depoimento.

Agência Brasil
Agaciel Maia buscou se eximir de responsabilidades

Agaciel ainda disse que o servidor Valdeque Vaz de Souza, pai de Lia, deve ter pedido ao ex-diretor de Recursos Humanos, João Carlos Zoghbi, a inclusão de sua filha nos quadros do Senado. Afirmou também que estranhou o fato dela ter sido incluída nos gabinetes dos senadores, uma vez que Zoghbi dispunha de cargos em comissão na sua secretaria.

Ao mesmo tempo que mostrou a relação de Valdeque com Zoghbi, Agaciel também buscou se eximir de qualquer responsabilidade no caso. Disse que não reconheceu sua assinatura no ato do que transferiu Lia do gabinete de Demóstenes para o de Delcídio. Alegou também que o mesmo tem rasuras na data e em seu número, e que não contava com assinatura autorizando sua publicação. Além disso, disse que uma etiqueta branca cobria um carimbo no documento.

Sobre o primeiro ato que empregou Lia, colocando-a na Secretaria de Recursos Humanos, antes de ir para o gabinete de Demóstenes, Agaciel alegou que o mesmo não possuía o carimbo obrigatório para a publicação. E que o ato que a transferiu para o gabinete de Demóstenes não possuía todas as assinaturas necessárias, e que a sua também não foi reconhecida. Agaciel ainda alegou que no dia deste ato ele estava em Natal, no Rio Grande do Norte.

O depoimento complicou a situação de Zoghbi, que, acuado, fez uma visita surpresa à Polícia do Senado, nesta terça, para tomar conhecimento do caso. Isso porque, além de Agaciel tentar lhe imputar responsabilidades, no depoimento de Lia, seus filhos, Marcelo e Ricardo Zoghbi, teriam sido citados. Devido a isso, a Polícia intimou os dois a prestarem depoimento nesta quarta-feira. Zoghbi deve ser ouvido na próxima semana.

Questionado se seria uma injustiça a inclusão de seus filhos no inquérito, Zoghbi se limitou a dizer que todos vão ser ouvidos e disse acreditar que em breve a Justiça vai ser feita.

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