decisão da Justiça Federal de Goiás que, desde ontem, proíbe o médico de operar novos pacientes. Leia a entrevista." / Pacientes sabiam que a técnica não é regulamentada , afirma médico que operou Faustão - Brasil - iG" / decisão da Justiça Federal de Goiás que, desde ontem, proíbe o médico de operar novos pacientes. Leia a entrevista." /

Pacientes sabiam que a técnica não é regulamentada , afirma médico que operou Faustão

O cirurgião Áureo Ludovico de Paula conversou com a reportagem do iG pelo telefone no início da noite desta quinta-feira. Na entrevista, informou que realiza o procedimento cirúrgico para o controle do diabetes há seis anos e que tem obtido bons resultados ¿ apesar dos riscos da operação. Ludovico disse que pretende recorrer da http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2010/01/28/justica+proibe+cirurgia+de+obesidade+feita+em+faustao+9379530.htmldecisão da Justiça Federal de Goiás que, desde ontem, proíbe o médico de operar novos pacientes. Leia a entrevista.

Fernanda Aranda, iG São Paulo |

iG ¿ Com a decisão da Justiça, o que o senhor pretende fazer agora?
Ludovico ¿ Vamos acatar a decisão da justiça e vamos recorrer às instâncias superiores. Essa é a decisão do advogado. Esperamos que a nossa tese seja acolhida.

iG ¿ A crítica ao procedimento realizado pelo senhor é que ele não é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e, por isso, deveria seguir protocolos de pesquisa. A técnica é regulamentada? Ludovico ¿ Não é um procedimento experimental, isso não é verdadeiro. Também não cabe o termo de que o paciente é cobaia. São pessoas (os pacientes) em situação extremamente grave. Só quem é diabético pode dimensionar o problema que é essa doença. Por isso, não cabe (à aprovação do) Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) porque não é um procedimento experimental. Já sobre a questão da regulamentação, na minha especialidade (doenças do aparelho digestivo), muitos procedimentos não são regulamentados.

iG ¿ Qual é o estado das 400 pessoas que o senhor operou? Como elas estão hoje?
Ludovico ¿ O procedimento é uma alternativa ao paciente com diabetes do tipo 2. O controle do diabetes, ou seja, o índice de sucesso, responde entre 86 e 96%. Mas precisamos lembrar que todos aqueles que tiverem intenção de ter acesso ao procedimento não estão isentos de risco.

iG ¿ Quais são os riscos previstos?
Ludovico ¿ Existem vários: obstrução do intestino, no estômago, além dos riscos inerentes aos diabéticos quando confrontados com cirurgias, como pneumonias e doenças coronarianas.

iG ¿ O senhor conhece algum médico além do senhor que realiza este tipo de cirurgia no Brasil?
Ludovico ¿ Vários médicos no Brasil e no exterior realizam.

iG ¿ O que o senhor diz de apenas o seu nome aparecer em processos judiciais?
Ludovico ¿ São várias questões. Não saberia responder de forma objetiva.

iG ¿ O senhor acha que é porque o Faustão foi um dos seus pacientes?
Ludovico ¿ Não posso dizer isso. Desculpe, não saberia dizer.

iG ¿ Todos os seus pacientes foram informados de que o procedimento não é regulamentado pelo CFM?
Ludovico ¿ Todos os pacientes assinam um termo de consentimento, informado e esclarecido sobre todos os detalhes da cirurgia. Ninguém está ordenando nada a ninguém. Tudo é esclarecido.

iG ¿ No termo que os pacientes assinaram consta que o procedimento não é regulamentado?
Ludovico ¿ Com certeza.

iG ¿ A técnica é regulamentada em algum outro país?
Ludovico ¿ Ela já é feita na Índia, na Itália. Mas essa coisa de regulamentação só existe no Brasil. É mais uma das nossas jabuticabas, só existe no Brasil.

iG ¿ Mas a regulamentação não é importante para nortear os médicos?
Ludovico ¿ Pense bem: regulamentar diversas coisas na economia já não funciona direito. Imagine na atividade médica, em que os fatores são múltiplos é se trata de uma atividade de meio e não de fim? Isso é desastre certo.

iG - Desde que o senhor começou a realizar essa técnica, algum paciente teve efeito colateral ou seqüela grave?
Ludovico ¿ Comecei a usá-la há mais ou menos cinco anos. Este é um procedimento cirúrgico. Em qualquer um dos nossos trabalhos, os riscos inerentes aos procedimentos estão lá.

iG ¿ O índice de risco já foi calculado?
Ludovico ¿ Nos congressos científicos de que já participei isso (o índice de risco) é tratado de forma transparente e esclarecedora.

iG ¿ O senhor participa de algum projeto de pesquisa com este procedimento?
Ludovico ¿ Não.

iG ¿ As publicações foram feitas com base nos pacientes atendidos pelo senhor?
Ludovico ¿ Exatamente.

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