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Ouvi um estrondo e a casa tinha sumido

¿Ouvi um estrondo e, quando abri a janela, a casa da Nete tinha sumido¿, relatou o pedreiro Erivaldo Sobral da Silva, morador da rua Rio Icatu, no Grajaú, na zona sul da cidade de São Paulo. ¿Então ouvi a Nete gritando ¿socorro, alguém me ajude¿ e corri para lá. Conseguimos tirar ela e o bebê. Infelizmente não deu para ajudar mais¿.

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

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    Ricardo Galhardo
    Deslizamento de terra matou três pessoas e feriu 4 da mesma família

    Deslizamento de terra matou três pessoas e feriu 4 da mesma família

    A pernambucana Nete, que engrossa a renda da família trabalhando como diarista, morava em uma pequena casa de alvenaria no alto do morro que deslizou na madrugada desta quinta-feira. Ela e a filha de quatro meses escaparam graças à ajuda do vizinho. O marido, um segurança conhecido como Alemão, estava trabalhando na hora do deslizamento e também escapou.

    Enquanto a retroescavadeira da prefeitura retirava o barro, pedaços da vida da família apareciam entre os escombros. Calças jeans, lençóis, colchonete, CDs, um chuveiro elétrico

    Já os vizinhos José, sua mulher Maria das Neves e a filha Rosangela, de nove anos, tiveram sorte pior. Eles moravam alguns metros abaixo e foram soterrados pela casa de Nete. Os três morreram. Dois outros filhos do casal foram resgatados com vida, levados para o Pronto Socorro do Grajaú e não correm risco de morte.

    Apesar dos sinais evidentes de ameaça, agravados pelas fortes chuvas das últimas semanas, eles não demonstravam medo. Na quarta-feira, José, que era aposentado por invalidez, aproveitou o calor do final da tarde para fazer um churrasco na laje. Eles nunca faziam nada e ontem [quarta-feira] fizeram um churrasco. Ofereceram carne para todo mundo, deram refrigerante para o meu menino, disse o vizinho Cláudio Cardoso Oliveira.

    Ricardo Galhardo
    Milka ajudou no resgate

    Milka ajudou no resgate no Grajaú

    A laje é a única coisa que restou da casa de José. Enquanto a retroescavadeira da prefeitura retirava o barro, pedaços da vida da família apareciam entre os escombros. Calças jeans, lençóis, colchonete, CDs, um chuveiro elétrico.

    Os corpos foram encontrados no final da tarde com ajuda da labradora Milka e da pastora belga Jade. Embora tenham menos de três anos, as cadelas têm experiência em resgate de vítimas da chuva. Graças a Jade, os bombeiros conseguiram salvar com vida um idoso vítima dos temporais em São Luiz do Paraitinga. A dupla já atuou em outros estados, como Santa Catarina. Mas acho que elas nunca trabalharam tanto como agora, disse um bombeiro.

    Menos de 100 metros depois do local da tragédia, na rua Rio Juruá, uma casa de dois cômodos se equilibra no alto de um terreno carcomido pela erosão

    Os sinais de risco de deslizamento são claros naquela região do Grajaú. As casas soterradas ficam na encosta de um morro, ao lado de uma parede vertical de pedras. Menos de 100 metros depois do local da tragédia, na rua Rio Juruá, uma casa de dois cômodos se equilibra no alto de um terreno carcomido pela erosão. Os antigos moradores espalharam lonas plásticas para evitar o efeito da chuva, mas decidiram abandonar a casa quando a terra começou a ceder, pouco depois do Natal.

    Ricardo Galhardo
    Com

    Com medo de deslizamentos, moradores abandonam casa antes do Natal

    Segundo moradores, as casas vizinhas às de Nete e José foram inundadas pelo barro há cerca de cinco anos. As crianças ficaram com barro pelo pescoço. Pouco depois o dono deu uma arrumadinha e vendeu a casa, disse Cláudio Oliveira.

    Ironicamente, o responsável pela venda dos terrenos, identificado como Nelson Alcântara e não localizado pela reportagem do iG , espalhou na vizinhança que pretendia doar um terreno para a prefeitura construir uma creche. O terreno, na verdade um pedaço de morro, é justamente o local que desabou na madrugada desta quinta-feira.

    R$ 15 mil, o lote

    Alcântara, segundo os moradores, vendia lotes de quatro metros de frente por 25 de fundo a R$ 15 mil, sem escritura. Temos só a certidão de venda, disse Edriane Sobral.

    Ali são construídas moradias de até quatro pavimentos que valem entre R$ 45 mil e R$ 75 mil. Na semana passada, ele estava por aqui oferecendo uns terrenos planos. A prefeitura nunca mexeu com ele, disse Edriane.

    Depois da tragédia a prefeitura interditou 10 residências onde moram 40 pessoas e enviou geólogos para fazer uma análise do local. Questionado se a medida deveria ter sido tomada antes, o engenheiro da Subprefeitura de Capela do Socorro Antonio Carlos Dias Oliveira, respondeu: "não tenho dúvida que sim, mas você sabe como são as coisas, São Paulo é enorme, tem um déficit habitacional muito grande.

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