SÃO PAULO - A primeira e única banda fixa de Raul Seixas e seu ex-parceiro e fã Marcelo Nova fizeram o último show da programação do palco Toca Raul, ao lado da praça da República, no centro de São Paulo. Além do repertório do último álbum do rockeiro, Panela do Diabo, a banda tocou alguns clássicos do rock, como Tutti-frutti, de Little Richard.

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Marcelo Nova
Marcelo Nova
Ao entrar no palco, após soltar o característico "Yeah" para a plateia, Marcelo Nova pediu a palavra. "Antes de tocar, quero contar uma história: Era 1965. Eu tinha 14 anos, e eles ("Os Panteras"), uns 20 e poucos. Era uma feira dessas que umas garotas ficam vendendo ferro e passar roupa de mini-saia, e "Os Panteras" iam tocar lá. Eu nunca tinha visto um show de rock´n roll ao vivo. Não tinha internet e videoclipes. Eles foram os meus beatles". Após a revelação, acrescentou. "E o mais legal é que eu tinha inveja deles porque eles transavam com todas as meninas. Mas hoje eu vou transar com umas três só por causa deles".

 Embora tenha começado o show no horário marcado, às 16h45, muitas músicas não foram tão bem executadas. Não por incapacidade, mas para seguir o velho estilo rock´n roll. "Vê se pode. Semana passada, os caras ("Os Panteras") me ligaram preocupados porque não tínhamos ensaiado. Como vocês veem, "Raulzito" sempre andou com más companhias", brincou Marcelo Nova, o "Marceleza", como era chamado por Raul.

O grupo tocou todas as músicas do "Panela do Diabo" na sequência. Após completarem o repertório, em um "bis" improvisado tocaram o hit de três acordes "Rock das aranhas". Quando foram tocar "Pastor João e a Igreja Invisível", Marcelo Nova criticou Edir Macedo falando alguns palavrões e completando com um irônico "Aleluia".

Reprodução
"Os Panteras"

Encontro histórico

Segundo o guitarrista Eládio e o baterista Carleba, quando Marcelo Nova foi convidado para homenagear Raul Seixas na Virada Cultural, respondeu sem pestanejar: Só toco se for com Os Panteras. A banda, que começou com o nome The Panters, foi a precursora do rock, senão no Brasil, ao menos na Bahia. Em Salvador, fomos os primeiros. No Rio, acho que não. Já tinha o Renato e os Blue Caps, lembra Carleba. Embora o primeiro e único álbum da banda só tenha sido gravado em 1968, a banda já fazia shows em 1962. Somos dinossauros do rock, brinca Eládio.

Os Panteras foi, na prática, a única banda de Raul Seixas. Segundo Carleba, após o primeiro álbum, "Raulzito e Os Panteras", Raul não formou uma nova banda. Preferiu reunir músicos para as gravações e shows. Durante os anos 70 e 80, o cantor teria procurado Eládio para voltar a tocar com os panteras, mas o projeto não andou.

Os músicos explicam que o álbum, apesar de conhecido dos fãs, não era o projeto que desejavam lançar na época. Os Panteras era uma banda de jovens recém-saídos da Bahia em busca de sucesso no Rio de Janeiro. Para gravar o álbum, tiveram que ceder a algumas exigências da gravadora, como tocar músicas mais românticas.

O guitarrista revela que, na verdade, após gravado, o álbum "Raulzito e Os Panteras" nunca foi tocado integralmente. Quando acabou aquilo tudo, não teve repercussão, não vendemos quase nada e nem fizemos shows. Eventualmente, a gente tocava algumas músicas no meio de outros repertórios. É até engraçado porque o pessoal da nossa geração nunca viu a gente tocar esse álbum.

Após o fracasso de vendas, cada integrante seguiu um caminho completamente diferente e, entre eles, apenas o baterista Carleba e Raul seguiram carreiras como músicos profissionais. Eládio é publicitário e produtor, e Mariano, engenheiro.

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