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ONGs não podem ser o paradigma de outro mundo possível , diz sociólogo

Brasília - O outro mundo possível pode estar além do espaço de debates e discussões do Fórum Social Mundial (FSM). Ao fim da nona edição, que termina neste domingo em Belém, as primeiras análises sobre a maior reunião de movimentos sociais do planeta começam a aparecer.

Agência Brasil |

O sociólogo Emir Sader avalia com frustração o resultado de uma semana de debates sobre alternativas à situação mundial. Há um certo sentimento de frustração em relação ao que o Fórum poderia dizer o mundo, mas parece que está girando em falso, apontou. Sader reitera a opinião apresentada antes do início do evento: o Fórum precisa se renovar.

A mudança incluiria mais espaço para os governos no FSM. Sader fez duras críticas à presença maciça de organizações não governamentais (ONGs) no Fórum, em detrimento dos movimentos sociais. Onde estão as massas nas ruas mobilizadas pelas ONGs? Quem faz o Fórum são os movimentos populares. Elas [ONGs] têm lugar, mas o protagonismo tem que ser dos movimentos sociais.

Na avaliação de Sader, as ONGs não podem ser o paradigma de outro mundo possível. O cientista defende a integração de experiências altermundistas reais ao espaço de debates do Fórum, mesmo que venham de governos. O Evo Morales não deveria ter vindo apenas para as reuniões com os presidentes, deveria ter vindo até aqui, mostrar as experiências que a Bolívia está vivendo como o regime democrático mais legitimado da América Latina, avaliou.

Mais otimista, o jornalista Luis Hernández Navarro, editor do jornal mexicano La Jornada, acredita que a volta do FSM ao Brasil renovou as perspectivas do encontro, que nos últimos anos dava sinais de esgotamento. Depois de Nairóbi (2007), em que até empresas privadas financiaram o Fórum, achei que o lema outro mundo é possível poderia ser trocado para outro turismo é possível.  Dava a impressão que o modelo de Porto Alegre havia passado por provas difíceis de superar, afirmou.

A avaliação de Navarro ao fim de uma semana do Fórum amazônico mudou. O Fórum existe. Não é uma invenção, uma quimera, ou uma construção midiática. É um foco importante de irradiação de idéias.

Navarro defende o FSM como única instância internacional de ativismo. É a única organização multi-setorial com um projeto emergente. Para o jornalista, a presença de cinco presidentes latino-americanos no Fórum em Belém mostra que a reunião ainda influencia a tomada de decisões  políticas. O Fórum faz sonhar e pode ter muito a dizer, pela capacidade de pensar alternativas para a crise.

Último dia de programação, hoje o Fórum realiza o chamado Dia das Alianças, com assembléias temáticas que vão debater e tentar sintetizar as demandas e análises discutidas ao longo da reunião.

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