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O PT está entregando mais do que o PMDB pede , diz Lindberg

RIO DE JANEIRO - O prefeito de Nova Iguaçu e pré-candidato do PT ao governo fluminense, Lindberg Farias, acusa a cúpula petista de ceder demais aos peemedebistas. ¿A direção nacional está entregando mais do que o PMDB está pedindo¿, afirma. ¿Falta ao partido uma direção mais forte e mais preocupada com a construção do PT nos estados¿, sublinhando o sacrifício imposto a parlamentares petistas. Segundo ele, a política de alianças ¿não pode matar os PTs estaduais¿.

Rodrigo de Almeida e Luiz Antonio Ryff, iG Rio |

Lindberg põe o dedo em riste igualmente para petistas e peemedebistas. Quem diz que se aliar ao PMDB no Rio é melhor para Dilma no fundo quer somente manter seus espaçozinhos no governo Cabral. Estão pensando nos cargos, afirma, fazendo lembrar a definição de Partido da Boquinha feita por Anthony Garotinho em 1998. Querem o PT submisso, como um partido pequeno. E o PMDB? Quer tudo, não se cansa de pedir tudo.

Os militantes fluminenses do PT vão às urnas neste domingo carregando o fantasma de 1998, quando o PT nacional desmontou a candidatura de Vladimir Palmeira para apoiar Anthony Garotinho, então no PDT de Leonel Brizola. O risco de intervenção branca cresceu porque o partido inverteu as datas das convenções, marcando o 4º Congresso para fevereiro de 2010, antes dos encontros estaduais. No evento, a legenda poderá delegar ao diretório nacional a prerrogativa de decidir pelos estados. O problema é que, no diretório nacional, a maioria deve ficar com a corrente que abre mão da candidatura própria nos estados para dar viabilidade ao apoio do PMDB à ministra Dilma Rousseff.

O presidente do PT no Rio, Alberto Cantalice, aposta nessa possibilidade para garantir que o partido siga ao lado de Cabral em 2010. Ele apoia o candidato da corrente majoritária, o deputado federal Luiz Sérgio. Segundo Cantalice, mesmo uma vitória dos candidatos alinhados a Lindberg Farias ¿ Lourival Casula e Bismarck Alcântara ¿ não é garantia da candidatura própria. A tese dessa corrente é que a campanha presidencial não pode correr riscos por causa de fissuras estaduais. A nossa prioridade é a eleição nacional, diz o presidente do PT fluminense. Temos de mostrar que o PT é um partido nacional e não uma federação de caciques regionais.

Possível vítima do noivado do PT e do PMDB no plano nacional, o prefeito de Nova Iguaçu discorda do risco para Dilma e da possibilidade de intervenção nos diretórios estaduais que definirem candidatura própria. Dilma está no melhor dos mundos, opina. Terá três palanques: o meu, o de Cabral e o de Garotinho. Ele avalia que não há clima para imposição da vontade do diretório nacional sobre os estados. Em 1998, lembra, o comando do partido era outro, com José Dirceu e José Genoino à frente ¿ uma direção que gostava de impor sua força. Hoje, ninguém chega chutando a porta. Sabem que criar confusão trará problemas para Dilma.

Lindberg acha que as direções dos dois partidos entenderam que problemas regionais não podem frear o acordo nacional. O pré-acordo entre petistas e peemedebistas favorece o presidente da Câmara, Michel Temer, como vice de Dilma. O prefeito lembra que, na Bahia, o peemedebista Geddel Vieira Lima deve ser candidato contra o governador petista Jacques Wagner. Por que o PT do Rio não poderá então lançar candidato?, questiona. De novo, Alberto Cantalice responde: O Rio é o principal Estado governado pelo PMDB. O que nos garante que os peemedebistas continuarão com Dilma depois de verem sua principal reivindicação ignorada pelo PT?.

O presidente do PT do Rio, Alberto Cantalice, contra-ataca: Lindberg não tem autoridade moral para criticar o partido. Deveria explicar à população que o reelegeu por que esqueceu tão rápido a promessa de que ficaria até o fim do mandato na prefeitura de Nova Iguaçu.

Nos estados

A retórica de guerrilha não garantirá a Lindberg vida fácil neste domingo. A eleição interna do PT tem o dedo do Palácio do Planalto. A corrente Construindo um Novo Brasil (CNB) é a mais ligada ao presidente Lula e quer moldar os palanques regionais à estratégia nacional.

O maior exemplo foi dado pelo chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, que deu apoio explícito ao deputado federal Luiz Sérgio. Temos o desafio de consolidar as mudanças promovidas pelo governo Lula e construir um amplo arco de alianças para garantir a continuidade de nosso projeto de transformação do Brasil, diz a mensagem enviada por Carvalho a Luiz Sérgio. Detalhe: Bismarck Alcântara, um dos principais adversários de Luiz Sérgio, é assessor de Carvalho no Planalto.

Outros estados vivem situações semelhantes. No Ceará, o governo apoia a chapa ligada à prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, defensora da aliança com o PSB do governador Cid Gomes, irmão de Ciro Gomes. No Paraná, o grupo ligado ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, prevê vitória folgada para selar o apoio ao senador Osmar Dias (PDT) para o governo. No Pará, o atual presidente estadual, João Batista, concorre à reeleição defendendo o apoio ao PMDB do deputado federal Jader Barbalho.

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