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Não vão nos tratar mais como lixo , afirma Lula ao assinar contrato no Rio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, deram um tom nacionalista aos discursos durante a cerimônia de assinaturas de contratos para implantação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), no município de Itaboraí (RJ). Segundo eles, a decisão da Petrobras, estimulada pelo governo, de investir no Brasil está ajudando o País a recuperar sua auto-estima. ¿Os críticos achavam que não podíamos construir refinarias, plataformas e navios¿, disse Lula. ¿Estavam errados. O Comperj é sinônimo de um pedaço de soberania que este País está construindo¿, completou o presidente. Os contratos do Comperj assinados por Lula somam cerca de R$ 2,5 bilhões.

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |

Houve um tempo em que éramos tratados como lixo, agora não mais, afirmou o presidente, citando a visita ao Brasil da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. Me perguntaram se eu ia conversar com a Hillary. Eu disse que não. Quem conversaria com ela seria o ministro Celso Amorim. A conversa é de ministro para ministro. Quando for o Obama eu converso, contou Lula, sob aplausos dos operários que trabalham nas obras de terraplanagem do Comperj.

Ricardo Stuckert/PR

Lula e Dilma posam para foto ao lado de trabalhadores no Comperj

Não é uma questão de desrespeito, mas de hierarquia, de tratar a coisa de um jeito mais equânime, completou o presidente, brincando em seguida com a palavra usada. Depois dizem que sou analfabeto. Olhem que palavra bonita eu usei agora: equânime, gabou-se.

Foi a terceira vez que Lula visitou as obras. Aos críticos, ele afirmou: Tenho de estar presente sempre para saber se as coisas que decidimos estão funcionando, disse o presidente. O Consórcio Terraplanagem Comperj (CTC) é integrado pelas construtoras Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Odebrecht.

O presidente exemplificou o porquê de sua presença. Há um mês, se a gente não fica esperto, a obra estaria parada e a Petrobras teria mandado embora 27 mil trabalhadores. Lula referiu-se à suspeita de sobrepreço na compensação por dia parado pago nas obras, identificada pelo Tribunal de Contas da União. Vamos fazer a investigação, mas não pode ter como contrapartida pôr na rua 27 mil trabalhadores, afirmou.

Segundo a Petrobras, as obras de implantação do Comperj empregam hoje 3.500 trabalhadores. A referência aos 27 mil trabalhadores, feita por Lula, é explicada pelo teto previsto de contratações até o pico das obras, quando serão cerca de 25 mil empregados. Inicialmente, o complexo deveria ser finalizado em meados de 2011. Mas sua conclusão foi adiada para setembro de 2013.

Economia

A ministra Dilma Rousseff e, antes dela, o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, ressaltaram a economia trazida pelas obras do Comperj. Costa calcula que a entrada em operação do complexo deverá significar a economia de US$ 2 bilhões anuais para o Brasil, equivalente ao que o País deixará de importar em resinas e plásticos. Dilma lembrou que a Petrobras, apesar das descobertas do pré-sal, não vai se tornar uma exportadora de óleo bruto. Se fizéssemos isso estaríamos exportando empregos para o exterior, empregos que hoje são criados aqui, afirmou a ministra.

Também ocupando, desde 2003, a presidência do Conselho de Administração da Empresa, Dilma lembrou que a Petrobras ampliou o volume de investimentos no período: de R$ 20 bilhões naquele ano para os R$ 85 bilhões previstos para 2010. Também no período, afirmou a ministra, a empresa saltou para o posto de segunda maior companhia de petróleo da região. Isso não aconteceu por acaso, nem por sorte. Foi uma decisão firme da Petrobras de contratar no Brasil tudo o que pudesse ser contratado.

Ricardo Stuckert/PR

Lula simula luta de boxe com menino na inauguração de obras do PAC na Rocinha

Imprensa

Pela manhã, Lula criticou a imprensa brasileira durante uma cerimônia de inauguração de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul do Rio. Para o presidente, os grandes veículos de comunicação preferem destacar tragédias a notícias boas  ¿ como inauguração de obras. 

A crítica foi feita após a divulgação na imprensa de que o Hospital da Mulher Heloneida Studart, inaugurado no domingo em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, teve a presença da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, embora não tenha sido construído com verbas federais.

A imprensa brasileira, por hábito ou desvio, não gosta de falar de obra inaugurada. O que é bom não presta, só serve desgraça, avaliou o presidente. Disseram que a Dilma veio inaugurar uma obra que não tinha dinheiro do governo federal. Como se o governador não pudesse convidar a ministra para vir aqui, completou.

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