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Não matei nem roubei e quero voltar a celebrar missa , diz monsenhor acusado de pedofilia

Afastado da igreja sob suspeita de abusar sexualmente de ex-coroinhas de Arapiraca, em Alagoas, o monsenhor Raimundo Gomes afirmou, em entrevista concedida nesta quinta-feira, que pretende retomar a ¿vida religiosa e espiritual¿ assim que as investigações forem concluídas. Ele é um dos religiosos acusados por antigos colaboradores de paróquias da cidade que afirmam terem sofrido abuso sexual desde que eram adolescentes.

Matheus Pichonelli, enviado a Arapiraca |

A Igreja em nenhum momento foi injusta comigo. Ela está averiguando o que se faz necessário pelo direito canônico em um momento como esse. A minha imagem foi parar no mundo, mas tenho convicção de que eu sou inocente. Não matei nem roubei e onde o bispo me colocar estou à disposição, disse ele, sobre a possibilidade de voltar a rezar missas em Arapiraca.

O monsenhor prestou depoimento nesta quinta-feira à Polícia Civil de Alagoas, que investiga supostas práticas de pedofilia no município. No depoimento, ele voltou a alegar inocência e disse que soube da existência de um vídeo contendo imagens de sexo entre um religioso da cidade, o monsenhor Luiz Marques Barbosa, então com 82 anos, e um adolescente de 20, somente quando os rapazes que providenciaram a gravação foram ao encontro dele para supostamente pedir dinheiro.

Matheus Pichonelli
Capela da Praça Santa Cruz, onde também rezava o monsenhor Luis Marques
"Foi falado claramente [no depoimento] que houve extorsão. Há um inquérito [aberto pela Polícia Civil] para apurar isso. Segundo ele, dois senhores que se diziam parentes das supostas vítimas de pedofilia queriam que ele fosse o intermediário entre eles e o monsenhor Luiz Marques para receber dinheiro em troca do silêncio.

Primeiro pediram R$ 1,5 milhão, depois R$ 750 mil e depois 500 mil. Isso durou três meses. Não chamei a polícia porque monsenhor Luiz já estava então com advogado, em contato com a polícia.

O monsenhor Raimundo sustenta que os rapazes conseguiram tirar cerca de R$ 32 mil do monsenhor Luiz Barbosa, que aparece nas filmagens, para pagar dívidas e os honorários de advogados contatados pelo grupo para negociar essa transição ilícita. Os jovens negam a acusação de extorsão.

Segundo o advogado Edson Maia, que defende o religioso, o dinheiro saiu do dinheiro particular do monsenhor Luiz, que tem soldo porque é capelão aposentado da Polícia Militar de São Paulo.

Monsenhor Raimundo diz também que foi surpreendido quando soube que seria acusado de pedofilia. Afirma que só teve o nome envolvido na acusação durante um programa de televisão, veiculado em março, no qual os os jovens acusaram os monsenhores e mais um padre da diocese de abusos sexuais. Não diziam que iam me denunciar. Em nenhum momento falaram de pedofilia. Tal foi minha surpresa que naquele dia eles me acusaram. Queriam apenas dinheiro pra não sair reportagem nenhuma. Não dizia que me envolveriam.

O envolvimento, disse, foi uma vingança contra ele em razão de investigações promovidas por ele sobre uma comunidade chamada Casa da Esperança, que pertencia à diocese de Penedo (AL), sede das paróquias de Arapiraca, da qual os ex-coroinhas faziam parte.

O bispo na época estava em Roma e eu era o vigário geral, responsável pela comunidade. Quando o bispo percebeu que era uma comunidade desobediente que não seguia as normas legais, não prestava contas, houve a desvinculação em julho e passaram a me odiar. De novembro em diante começaram a pedir dinheiro. Era chantagem, afirma. Durante todo esse tempo fiquei na minha casa, reservado. Tinha ameaças por aí, fui vitima de hostilidade rezando a missa, quando dois [acusadores] chegaram e ficaram na frente do altar para me intimidar. Não falaram nada, só ficaram lá, com cara de quem diz: 'estou para lhe intimidar'.

Monsenhor Raimundo disse ainda ter achado um fato gravíssimo o fato de a população ter usado o vídeo de sexo entre Luiz Marques Barbosa e um jovem da comunidade. Mas disse se sentir desconfortável para comentar o caso do vídeo. Ele negou também a acusação feita pelos ex-coroinhas de que estaria fazendo pressões e ameaças por causa das denúncias. Isso não procede. O povo de Arapiraca me conhece. Fundei duas paróquias aqui, a do Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora do Carmo Isso tudo é apenas questão apenas de vingança.

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