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Não consigo parar de matar, diz assassino confesso de jovens em Luziânia

Não consigo parar de matar, preciso de ajuda para parar com essas coisas, afirmou nesta segunda-feira, em entrevista à imprensa na Secretaria de Segurança Pública (SSP) de Goiás, em Goiânia, o preso Admar de Jesus, assassino confesso de seis jovens de 13 a 19 anos na cidade de Luziânia.

iG São Paulo |

  • Suspeito de matar jovens teria de ficar isolado, segundo laudo
  • Suspeito de matar jovens em Luziânia cumpria pena em liberdade
  • Suspeito oferecia dinheiro para atrair jovens, diz polícia
  • Ainda achava que faria uma grande festa, diz irmã de vítima
  • Famílias de jovens mortos em Luziânia podem pedir indenização ao Estado

     

  • AE
    Pedreiro diz que não consegue

    Pedreiro diz que não consegue "parar de matar"

    Na entrevista, ele disse que mantinha um "contrato" com uma quadrilha de traficantes que atua em rede de pornografia na internet, descreveu a extrema violência com que matou os jovens e pediu perdão às mães pelos crimes.

    "Recebo uma voz do além, que me manda fazer essas coisas, acho que é o capeta", disse. "Eu peço perdão às mães. Não fiz por querer mal, foi por dinheiro." Ele contou que matou os seis jovens a pauladas e golpes de enxadão e de martelo de pedreiro, quatro deles pelas costas, de surpresa. Dois deles, atacados pela frente, reagiram, mas "não tiveram chance", porque ele, armado, os dominou.

    De acordo com o delegado de Luziânia, Josuemar Vaz, tudo o que o pedreiro afirmou durante a entrevista é mais uma versão dos acontecimentos e deve ser analisado a partir da sua condição piscológica. "O que ele diz deve ser ouvido com reservas. Pela conversa que tive com ele no sábado e pelo o que ele falou hoje, a gente percebe que em muitos momentos ele não fala coisa com coisa. O depoimento dele deve se adequar com a provas técnicas que temos do caso", afirmou em entrevista ao iG.

    Vaz afirmou que a polícia não tem nenhuma indicação de que a quadrilha que o suspeito afirmou ter contato esteja operando na região. "Pelo o que investigamos nesse tempo, a gente teria descoberto se tivesse alguma coisa assim".

    O delegado ainda disse que a forma brutal com que o pedreiro contou ter matado os jovens não condiz com as primeiras análises dos corpos encontrados. "Falei com os médicos legistas que analisam os corpos e não está batendo com a versão dele.

    "Me atiçaram, me atentaram"

    Ao pedir perdão às mães, ele admitiu que terá que "pagar pelos crimes", mas tentou se justificar alegando que foi "forçado" a cometer os assassinatos: "me atiçaram, me atentaram." Admar de Jesus disse que vinha sendo chantageado por uma quadrilha de traficantes que lida com pornografia na internet.

    O assassino confesso afirmou que um dos jovens mortos, ao qual identificou apenas como "Zé", seria intermediário dessa quadrilha. Acrescentou que, por intermédio desse jovem, a quadrilha o havia contratado por R$ 5 mil para prestar aos traficantes "serviços" como cobrar dívidas, matar alguns devedores do tráfico e produzir pornografia infantil.

    Na entrevista, Admar contou que manteve relações sexuais com dois dos seis adolescentes antes de matá-los, e que "Zé" lhe dissera que as imagens pornográficas seriam entregues a um pastor evangélico. Afirmou que todos os seis jovens teriam envolvimento com drogas e que os convencia a entrar na mata convidando-os a fumar maconha.

    Problemas psicológicos

    Ele contou ainda que frequentava uma igreja evangélica em Luziânia e que, imediatamente antes de dois dos crimes, participou de cultos no local. Ao sair, acrescentou, continuava "ouvindo vozes" que o "atiçavam" a matar. Relatou ainda que havia recebido encomenda de mais dois assassinatos de garotos. Um deles foi apreendido pela Polícia Federal (PF) que, por meio dessa identificação, levantou informações que ajudaram a Polícia Civil a chegar a Admar.

    O assassino confesso disse ainda que, quando era mais novo, foi vítima de abuso sexual e que o pior episódio se deu quando foi assaltado. Nessa ocasião, os ladrões lhe roubaram tudo, o estupraram e lhe cortaram a língua (ele fala com dificuldade). Afirmou que isso o deixou revoltado e com problemas psicológicos. "Não consigo parar de matar, preciso de ajuda para parar com essas coisas."

    Admar disse que no sábado, na prisão em Goiânia, tentou se enforcar com uma blusa, mas ela se rasgou. A uma pergunta se teme ser morto na prisão, respondeu: "Tenho medo sim, já fui ameaçado e tenho medo de ser morto."

    *com informações da Agência Estado

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