JOHANESBURGO (Reuters) - A cantora sul-africana Miriam Makeba, uma das vozes mais conhecidas da África e líder na luta contra o apartheid durante três décadas no exílio, morreu de ataque cardíaco após uma apresentação na Itália. Ela tinha 76 anos. Conhecida como Mama África e Imperatriz da Canção Africana, Makeba foi a primeira música sul-africana a ganhar reconhecimento internacional, ficando famosa nos Estados Unidos nos anos 1950 com seus vocais poderosos. Ela era detestada pela minoria branca que controlava a África do Sul.

O ex-presidente sul-africano e herói anti-apartheid Nelson Mandela prestou homenagem à cantora, chamando-a de "primeira-dama da música sul-africana" e dizendo que sua música inspirou a esperança.

Makeba adoeceu na noite de domingo, após um concerto na cidade de Baia Verde, no sul da Itália, para divulgar o combate ao crime organizado. A informação é de seu assessor. Ela morreu depois de ser levada às pressas a uma clínica na cidade de Castel Volturno.

"A causa da morte foi um ataque cardíaco, mas ela já não estava bem havia algum tempo", disse à Reuters o assessor de Makeba, Mark Lechat. Ele disse que a cantora vinha sofrendo de artrite.

As emissoras de rádio sul-africanas renderam homenagem a Makeba, lendo mensagens de texto em tributo a uma das estrelas mais amadas no país e em todo o continente.

Miriam Makeba passou 31 anos no exílio depois de manifestar-se abertamente contra o apartheid. Em uma de suas canções, ela exigia a libertação do então futuro presidente Mandela, que passou 27 anos na prisão, combatendo o governo da minoria branca

Makeba enfatizava seu orgulho da herança africana através de seus penteados e roupas tradicionais, popularizando a moda africana.

Sua origem era humilde, tendo nascido numa favela perto de Johanesburgo. Ela foi empregada doméstica. Começou a cantar no coral da escola onde estudou e aprendeu novas canções, ouvindo gravações de jazzistas norte-americanas como Ella Fitzgerald.

Makeba fundiu o jazz com sons tradicionais africanos e pontuava algumas canções com os sons de sua língua, o xhosa.

Ela ficou conhecida no palco internacional como cantora principal da banda sul-africana The Manhattan Brothers. Em Nova York, trabalhou com Harry Belafonte.

Exilada depois de manifestar-se contra o apartheid, criou clássicos como "The Click Song" e "Pata Pata."

Ao mesmo tempo em que conquistava milhões de ouvintes, sua vida pessoal foi marcada pela tragédia. Makeba disse que seu primeiro marido a espancava com frequência. Ela o deixou depois de flagrá-lo na cama com sua irmã.

Em 1968 Makeba se casou com o militante americano "black power" Stokely Carmichael e eles se mudaram para a cidade de Guiné, na África Ocidental. Eles se separaram mais tarde. Ela se divorciou quatro vezes.

(Reportagem adicional de Antonella Cinelli em Roma)

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