PARIS ¿ Ex-concorrente à Palma de Ouro em Cannes, de onde saiu com o prêmio de melhor atriz para Sandra Corveloni em maio passado, o longa Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas, voltou ontem às telas de cinema da França.

Apresentado em pré-estreia no Cinéma Balzac, uma das salas mais respeitadas do circuito alternativo de Paris, cuja versão foi chamada de "Une Famille Brésilienne", foi aclamado pela plateia, deslumbrada também com a presença e com as reflexões do diretor brasileiro.

Em retribuição, Salles presenteou o público com o curta metragem "Carta a V.", produzido para o aniversário de 60 anos de Cannes e exibido até então apenas duas vezes.

Com estreia no circuito comercial prevista já para o dia 18, "Une Famille Brésilienne" gerou filas extensas em sua primeira exibição em Paris. Em razão da procura e do grande número de reservas de ingressos ¿ cuja verificação retardava a entrada do público ¿, a sessão teve início cerca de uma hora após o previsto.

A empolgação da plateia aumentou com a chegada de Walter Salles, que participou de um debate de cerca de uma hora. Convidado a definir seu filme, explicou: "'Une Famille Brésilienne' vem do desejo de voltar a falar da juventude brasileira, que Daniela e eu havíamos abordado em um primeiro projeto, 'Terra Estrangeira'". "A inspiração do filme atual veio de histórias reais e dos desejos manifestados por essas pessoas de reescrever suas vidas. São jovens à procura de uma identidade, já que não contam com a figura paterna."

Os bastidores da gravação, as relações entre seus trabalhos como ficcionista e como documentarista e a realidade brasileira também foram abordados por Salles a pedido do público. Além de sua abordagem documental, "Linha de Passe" também foi elogiado pelas técnicas de filmagem das cenas de futebol, um dos pontos centrais do longa.

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