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Lembrem do que aconteceu em Santo André , dizia ex-marido durante cárcere

O desfecho do caso Eloá Pimentel, estudante morta em outubro de 2008 após sob ficar mais de quatro dias na mira do ex-namorado, em Santo André (SP), foi lembrado pelo vigilante Rodrigo Luz para ameaçar matar a ex-mulher caso fosse interrompido o fornecimento de energia na casa onde manteve a vítima como refém, em Canoas (RS).

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Lembrem do que aconteceu em Santo André, dizia à polícia Rodrigo Luz, que portava um revólver calibre 38 e, àquela altura, ameaçava matar Josiane Pontes, 29 anos. 

Em 13 de outubro de 2008 , Lindemberg Alves, à época com 23 anos, invadiu o apartamento da ex-namorada, de 15 anos, e a manteve refém com a amiga Nayara Rodrigues da Silva e dois amigos ¿ que foram soltos pouco depois. No dia 17 daquele mês, a Polícia Militar (PM) de São Paulo invadiu o local, mas não evitou o pior: Nayara foi baleada no rosto e Eloá, na cabeça e na perna. Lindemberg foi preso e hoje aguarda julgamento. Eloá não resistiu aos ferimentos e morreu.

O drama em Canoas durou quase três dias. A casa foi invadida por volta das 23h de sexta-feira. A polícia cercou o local na manhã seguinte e deu início a uma negociação que durou quase 60 horas.

AE
Mulher é libertada em Canoas após ser mantida como refém por 3 dias

No primeiro dia, ele ficava com a arma apontada para o peito da moça. Dizia que, se desligasse a luz, ele iria matar. E dizia: lembrem do que aconteceu em Santo André. Ele parecia disposto a matar a moça, relatou ao iG São Paulo o subcomandante da Brigada, coronel Jones Calixtrato dos Santos, que comandou a negociação.

O coronel conta que a tática da polícia era fazer com que o criminoso cansasse e se convencesse a se entregar. Durante o período de negociação a polícia manteve a mesma equipe, que não deixou o local desde sábado de manhã. Ao todo, 47 homens, entre responsáveis pela negociação e também pelo isolamento da região, cercavam a residência.

A tarefa, entretanto, era complicada, já que Luz trabalha como vigilante e estava acostumado a passar horas acordado. Ele não dormiu em nenhum momento. Mantivemos conversa com ele durante todo o tempo, afirmou o coronel.

Conforme o desenrolar dos fatos, conseguimos reverter a relação. Num momento em que ele conversava com um negociador por telefone, a polícia conseguiu falar com a mulher. Em segundos, ela foi orientada a não brigar com ele e dizer que aceitava a volta da relação. Pedimos para ela manter o diálogo com ele. Ela disse, por exemplo, que eles precisavam cuidar dos dois filhos juntos. Falávamos sempre com ela para saber se estava bem. Eram monólogos, quase, porque ela só podia responder sim ou não. Isso ajudou muito e ele ficou muito tranquilo.

A Brigada suspeita que ele estivesse ainda sob efeito de algum medicamento para não dormir, o que será constatado somente após perícia da Polícia Civil.

O vigilante, segundo o coronel, precisou ser convencido quatro vezes a se entregar. Ele prometeu se entregar três vezes e desistiu; na primeira, sentiu medo, não tinha confiança e recuou. Na segunda vez, no domingo, perto das 21h, estava tudo pronto, mas uma emissora de TV mostrou uma entrevista de vizinhos falando mal dele. E ele recuou de novo. Hoje (segunda-feira), ao meio-dia, ele prometeu de novo se entregar, mas recebeu uma ligação dizendo que a polícia ia matá-lo, que ele ia apanhar e que era melhor se trancar em casa. E desistiu. Muita gente ligava, dizendo que não era pra ele sair, disse.

Ao final, cansado, o vigilante aceitou liberar a mulher e se entregou à polícia. No final, ele estava mole e o sentamos no chão, chamamos uma médica e demos medicamento. Já estava debilitado, contou Santos.

Nervosa, Josiane desmaiou ao deixar o local e precisou ser levada para um hospital.

Segundo o coronel, uma intervenção policial não estava descartada.

Estudamos todas as hipóteses. Mas a primeira regra é o diálogo. Se tivesse necessidade haveria intervenção, caso ouvíssemos algum grito.

O coronel da Brigada Militar afirmou que este foi o caso mais longo de cárcere privado registrado no Rio Grande do Sul. Já tivemos casos de cárcere privado que durou 24 horas, por exemplo. Mas 70 horas, no nosso Estado, é inédito.

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