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Heavy Rain , um jogo de videogame que mais parece cinema

O argumento forte e a perfeição estética conferem uma dimensão quase cinematográfica a Heavy Rain, o último jogo lançado para PlayStation 3, um drama interativo que surpreendeu até mesmo os diretores de cinema Terry Gilliam e Martha Fiennes.

EFE |

Apresentado recentemente em Paris, o ponto principal do jogo é a credibilidade das histórias, "interativas e emocionantes" destinadas ao público adulto, com destaque, assim como no cinema, ao roteiro, à trilha sonora e à atuação, não somente à técnica.

Os personagens de "Heavy Rain" são atores reais com movimentos e expressões que foram digitalizadas com a tecnologia "motion capture", similar à utilizada em "Avatar".

Se não fosse o fato do jogador decidir ativamente o curso dos fatos - são inúmeros os caminhos possíveis -, "Heavy Rain" seria um filme de animação.

Em entrevista à Agência Efe, o criador do jogo, David Cage, negou que tenha tentado fazer um filme. Sua criação, no entanto, abriu uma nova porta na indústria com potencial suficiente para justificar que sua obra não possa ser classificada apenas como um jogo de videogame, mas também como um "drama interativo".

"Queria mostrar que é possível transmitir emoções intensas através do videogame", disse Cage.

Se algo fica claro ao conversar com o coordenador do projeto é que a queda-de-braço pela revolução dos videogames não está sendo travada somente em território técnico, mas no que diz respeito também à credibilidade e ao acabamento da história: "a tecnologia não é imprescindível, é só uma ferramenta".

A sofisticação do roteiro, a profundidade dos personagens, a tensão da narrativa e a empatia do jogador são fatores cada vez mais importantes para conquistar o público adulto, o mais rentável.

Uma prova da complexidade da história de "Heavy Rain" é o apoio que o diretor do projeto recebeu da indústria cinematográfica durante a apresentação em Paris, que ocorreu em um cinema com direito a tapete vermelho e tudo.

Os diretores Martha Fiennes, Terry Gilliam e Neil LaBute e o ator de "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", Mathieu Kassovitz, receberam Cage colocando em destaque a relação simbiótica entre o cinema e o videogame.

Cage indicou que Hollywood ainda acha que os videogames servem apenas para fazer "merchandising", por isso acredita que vai levar algum tempo para que ambas as indústrias comecem a colaborar mutuamente.

"Neste momento, Hollywood não respeita os videogames, porque não entende esse meio. Mas estou surpreso de ver como reagem os diretores de cinema ao jogo, porque fala de algo que eles entendem muito bem: contar boas histórias com personagens profundos e despertar emoções", indicou.

Para a diretora de "Paixão Proibida", Martha Fiennes, trata-se de um jogo claramente inspirado no cinema - seu autor reconhece influências de "Blade Runner, o Caçador de Andróides" e de Humphrey Bogart - com uma profundidade psicológica que o torna "apaixonante" aos olhos do jogador.

O diretor de cinema e um dos criadores de "Monty Python", Terry Gilliam, foi seduzido pela "maravilhosa atmosfera" criada em "Heavy Rain". Ele ficou intrigado de não saber que consequências terão as decisões adotadas pelo jogador a cada momento.

"Heavy Rain" é uma aventura gráfica dramática para maiores de 18 anos em que quatro personagens encontram uma criança sequestrada por um assassino em série antes de este decidir matá-la.

Um pai traumatizado, uma jornalista insone, um agente do FBI envolvido com drogas e um detetive particular enlouquecido pelo modo como a vida o tratou irão definir a história em função das opções escolhidas pelo jogador.

Nas 2 mil páginas do roteiro do jogo há "muito mais que cenas de violências e nus", existem também episódios de ação e situações extremas.

"O revolucionário deste jogo é que chega ser estúpido: o herói não tem uma pistola. Não existem armas, mas decisões, consequências, história e emoções" afirmou o autor.

Cage, que se define como um projetista capaz de arriscar porque tem apoio financeiro, espera que sua aposta seja bem-sucedida e que outros profissionais abandonem os tiros, zumbis e monstros e apostem em histórias.

O sucesso agora depende do interesse do público. EFE vmg/dm

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