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Grupo de Dantas tentou subornar delegado com US$ 1 milhão, diz PF

SÃO PAULO - Em entrevista coletiva na tarde desta terça-feira na sede da Polícia Federal, o delegado Protógenes Queiroz deu detalhes da suposta tentativa de suborno de um dos delegados que participa da operação Satiagraha, desencadeada nesta terça-feira e que levou à prisão o empresário Daniel Dantas, o megainvestidor Naji Nahas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, e mais 19 pessoas. Segundo o delegado, o grupo de Dantas ofereceu US$ 1 milhão para que o delegado excluísse o nome de Dantas e da sua mulher das investigações e abrisse uma investigação paralela para investigar o rival e ex-sócio no Oportunitty, Luiz Roberto Demarco.

Luciana Fracchetta, do Último Segundo |

  • Dantas e Nahas se uniram para ganhar no mercado de ações, diz MP
  • Leia na íntegra a nota da Polícia Federal sobre a operação

  • AE
    Daniel Dantas chega à sede da PF no Rio
    Daniel Dantas chega à sede da PF no Rio

    "O grupo de Dantas chegou a entrar em contato com um delegado de polícia para eliminar os nomes de Daniel e sua mulher, Maria Alice de Carvalho Dantas, das investigações. Em outra ocasião, duas pessoas também ligadas a Dantas procuraram o delegado para abrir investigação contra Luiz Roberto Demarco", disse Queiroz.

    O delegado também afirmou que ainda não há um valor exato do montante movimentado pelas supostas quadrilhas de Daniel Dantas e Naji Nahas, mas que "as cifras giram em torno de bilhões de dólares". Ele disse ainda que Nahas teria tentado manipular índices de juros do Federal Reserve, o FED, o Banco Central dos Estados Unidos.

    "Há indícios de que Nahas teria manipulado índices de juros do Federal Reserve, mas isto ainda está sendo apurado", disse Queiroz.

    Segundo o delegado, a prisão de Dantas, Nahas e Pitta foi pedida para "evitar destruição de provas".

    Fundo no exterior

    Na entrevista, o procurador Rodrigo De Grandis, do Ministério Público Federal (MPF), afirmou que "se criou um fundo vinculado às Ilhas Caimã que proporcionou investimentos de brasileiros no exterior, sem que se declarassem às instituições competentes". Segundo ele, a administração feita dessa forma se caracteriza "uma gestão fraudulenta. Além disso, de acordo com o promotor, o grupo responderá também por evasão de divisas.

    Segundo De Grandis, a origem dos carros de luxo apreendidos durante a operação da polícia será analisada. A suspeita é de que o grupo comprava imóveis, carros e outros bens para lavar dinheiro.

    "Na literatura da lavagem criminosa é o que se chama de lavagem de recursos, a compra de dinheiro com objetos de luxo", afirmou.

    Operação Satiagraha

    AE
    Celso Pitta, um dos presos na operação
    Celso Pitta, um dos presos na operação
    A Operação Satiagraha foi desencadeada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira para cumprir 24 mandados de prisão e 56 ordens de busca e apreensão. Entre os presos estão Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. 

    O grupo investigado é suspeito dos crimes de formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

    Dantas também irá responder por suspeita de espionagem e de tentativa de corrupção de um delegado cujos primeiros nomes são Vitor Hugo

    Segundo a Polícia Federal, as investigações tiveram início há quatro anos e estão relacionadas ao escândalo do mensalão. Nela, a polícia identificou pessoas e empresas beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério, que já está sendo processado pelo mensalão, para intermediar e desviar recursos públicos.

    O chamado esquema do mensalão envolvia o suposto pagamento de dinheiro a deputados da base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em troca de apoio no Congresso. As denúncias do esquema derrubaram figuras importantes do governo petista, como o então ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu.

    Segundo a PF, o esquema montado pelo publicitário Marcos Valério desviava recursos públicos para o mercado financeiro. A Polícia Federal informou que o esquema seria comandado pelo banqueiro Daniel Dantas. Para cometer os crimes, principalmente de desvio de verbas públicas, o grupo é acusado de ter várias empresas de fachada. 

    Ainda de acordo com a investigação, foi descoberta a existência de um segundo grupo que atuava no mercado financeiro para "lavar" o dinheiro desses desvios. A PF apurou que este grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas. Há indícios que as duas organizações atuavam de forma interligada e também recebiam informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve.

    O Ministério Público Federal e a PF pediram também a prisão do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal, mas o juiz federal Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, entendeu que não existiam fundamentos suficientes para decretá-las.


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