A morte do cartunista Glauco aos 53 anos deixou a classe artística de luto nesta sexta-feira (12). A movimentação desde a madrugada, quando surgiu a notícia de que ele e seu filho haviam sido assassinados em Osasco, na Grande São Paulo, aconteceu principalmente no Twitter.

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Geraldão, um dos personagens
mais famosos do cartunista Glauco

"Morreu assassinado o cartunista Glauco e seu filho em um assalto em casa", escreveu o apresentador Serginho Groisman. "Glauco tinha um traço irônico e atento sobre o Brasil. Triste."

Os comediantes Danilo Gentili e Marcelo Tas também lamentaram o caso, mas o quadrinista Mauricio de Sousa foi o mais incisivo. "O dia fechou com o desaparecimento do Glauco. Não há palavras para justificar, explicar, entender", disse.

Glauco começou a publicar suas tiras no jornal "Folha de São Paulo" em 1977, pouco depois de ser premiado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, o mais tradicional evento do gênero do país. O artista plástico Eduardo Grosso, coordenador do Salão, afirmou hoje ao iG que Glauco era um dos grandes humoristas gráficos do Brasil.

"Tinha um traço simples, mas a piada era muito direta. Tratava de assuntos complexos indo ao ponto e com humor", declarou Grosso. "Era um desenhista muito conhecido nos meios estudantis, os jovens gostavam muito dele por abordar questões de drogas, relacionamentos familiares. Eram assuntos que ele mesmo vivia e transformava em piada, propondo uma reflexão."

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"Los Tres Amigos", quadrinhos que
reuniam Laerte, Angeli e Glauco

O coordenador do Salão de Piracicaba também destacou a importância das histórias dos "Los Três Amigos", série de tiras desenhadas por Glauco, ao lado de Angeli e Laerte no início da década de 1990 na revista "Chiclete com Banana".

"O fato de você trabalhar com três pensamentos, de resolver graficamente um problema, foi muito rico em termos estéticos, gráficos, e de conteúdo", defendeu Grosso. "Acho que foi uma viagem artística muito enriquecedora, que marcou época nacionalmente. Influenciou e vai continuar influenciando, além de ser uma fonte de pesquisa por muito tempo."

Atualmente morando em Buenos Aires, o cartunista Adão Iturrusgarai, que chegou a integrar o "Los Tres Amigos", escreveu em seu blog sobre a relação de Glauco com o trio. "O Glauco costumava faltar bastante aos encontros, pelo menos na época em que eu participei do bando. Mas, quando aparecia, dava conta do recado em segundos e logo sumia novamente. Ele tinha um dos traços mais difíceis de imitar. Era muito caligráfico, quase uma assinatura."

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