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Frost/Nixon lembra agonia do presidente dos EUA após Watergate

Fernando Mexía Los Angeles, 5 dez (EFE).- O diretor Ron Howard, ganhador de dois prêmios Oscar por Uma Mente Brilhante (2001) retoma em Frost/Nixon a figura do ex-presidente americano Richard Nixon e sua agonia política após o escândalo de Watergate, em um filme que aparece como candidato a estatuetas.

EFE |

O filme, que estréia hoje nos Estados Unidos, é uma adaptação cinematográfica da obra de teatro homônima escrita pelo roteirista e dramaturgo Peter Morgan ("A Rainha" e "O Último Rei da Escócia", ambas de 2006), que viagem em torno da entrevista de seis horas concedida por Nixon ao jornalista inglês David Frost.

A história chegará às telas precedida pelo sucesso nos palcos e protagonizada pelos mesmos atores que encarnaram Frost e a Nixon no teatro, Michael Sheen e Frank Langella, respectivamente.

O próprio Morgan transformou seu roteiro para o filme, que recupera os diálogos reais mantidos por Frost e Nixon no verão -no hemisfério norte- de 1977, que se transformou no programa informativo mais assistido da história dos Estados Unidos.

O relato vai além e procura descobrir o drama pessoal de Nixon, ao tempo que reinterpreta como se deu a famosa entrevista na qual o ex-presidente tentou redimir sua imagem pública após o escândalo das escutas do caso Watergate que lhe forçou a renunciar ao cargo.

"Não é um filme sobre política, é uma história humana sobre o fato de estar no fundo e tentar sair dessa situação usando todas as ferramentas que se tem ao alcance", explicou Howard.

O próprio David Frost, transformado em uma celebridade midiática no Reino Unido após aquele programa, lembrou a expectativa gerada na audiência então e assegurou que o drama daquelas entrevistas foi maior do que ele tinha imaginado.

Uma sensação que se recolhe no filme, carregado de tensão interpretativa, com uma interpretação papel memorável de Langella, cujo nome já aparece entre os favoritos para ser indicado ao Oscar este ano.

"Para a preparação do personagem pedi que o tempo em que estivesse fora do meu camarim eu fosse Nixon. É algo que me agrada brincar com os colegas durante as gravações, mas pensei que não seria bom relaxar. Quando entrava no set de filmagem, todo mundo dizia 'bom dia, senhor presidente', o que me permitiu manter a sensação de solidão de Nixon" disse Langella.

O ator insistiu em que tentou construir sua própria versão do ex-presidente americano para evitar se transformar em uma réplica, o que lhe permitiu adentrar sua personalidade.

"Nixon era inteligente e rápido em suas contestações, mas dava uma imagem terrível diante das câmaras e sofreu com isso, com o suor, seu rosto cinza, seus gestos... foi brilhante em política externa, mas nós terminamos dizendo "olha seu corte de cabelo, olha como sua, e caçoamos dele por isso", comentou.

"É uma interpretação destacável e disciplinada", disse Howard do trabalho de Langella, quem em 2007 já ganhou o prêmio Tony de melhor ator teatral do ano pela versão da Broadway de "Frost/Nixon".

"A história me lembra a uma época em que não achava que algo de novo ocorreria neste país, que é a perda de confiança dos cidadãos em seu Governo", acrescentou o diretor em referência à Guerra do Iraque e sua comparação com a do Vietnã.

Richard Nixon foi presidente dos Estados Unidos entre 1969, meses antes de o homem chegar à Lua, e 1974, ano em que renunciou devido ao escândalo de Watergate, um caso de espionagem nos escritórios do Partido Democrata por funcionários da Casa Branca no qual se viu envolvido. EFE fmx/jp

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