BRASÍLIA ¿ O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) negou nesta quinta-feira qualquer irregularidade no uso da sua verba oficial de passagens aéreas pagas pelo Senado para fretar jatinhos particulares. Segundo ele, esta prática é utilizada por diversos senadores e deputados. ¿Eu fiz porque era legal. Eu fiz dentro de uma cota, de uma ferramenta que é colocada à disposição dos senadores. Se ela deveria existir ou não, esta é outra discussão¿, disse em plenário.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo publicada nesta quinta-feira revela que o senador usou, entre 2005 e 2007, R$ 469 mil com fretamento de jatinhos. Os dados foram apurados no Sistema de Acompanhamento do Orçamento (Siafi). De acordo com o senador, o dinheiro não ultrapassa a cota de passagens a que ele tem direito.

Jereissati ainda se comprometeu a pagar o dinheiro de volta em dobro caso alguma irregularidade no caso seja comprovada. Se eu gastei pelo menos igual a cota que eu tenho direito a esses seis anos, eu me proponho a pagar em dobro. Eu sou homem público, político, cearense, branco de olhos azuis, mas não sou responsável por essa crise do Senado, disse, ironizado a declaração do presidente Lula de que a crise foi causada por pessoas brancas dos olhos azuis.  

O regimento do Senado não proíbe o uso da verba indenizatória e da cota de passagens como fretamento de aviões, mas também não regulamenta a prática.  

Nunca pedi autorização especial nenhuma. Apenas utilizei a burocracia normal, publica, fazendo ofícios ao diretor-geral perguntando e colocando que minha cota de viagem fosse pago a empresa TAM para fretamento de viagens, utilizando dentro da minha cota de viagens não utilizada. Nunca usei um tostão sequer acima da minha cota de viagem, alegou, negando informação da reportagem da "Folha", na qual é dito que o senador pediu autorização especial ao ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia para usar o dinheiro em frete.  

Esta manhã, o corregedor-geral do Senado, senador Romeu Tuma (PTB-SP), descartou a necessidade de abrir sindicância para averiguar o caso do senador Tasso Jereissati. 

Insinuações

Tasso ainda disse que o objetivo da acusação sobre o uso da cota aérea para fretar jatos era outro, segundo ele, insinuado na matéria. Queriam dizer que eu comprei o avião da TAM com dinheiro público, o que é uma picaretagem, uma malandragem que nunca faria, que nunca vão conseguir provar porque nunca fiz. 

Em seu discurso, o senador ainda disse que frente ao rol de denúncias contra o Senado nas últimas semanas, e com a publicação de matérias por ele taxadas de injustas, há uma desilusão com o trabalho legislativo.  

"Dá vontade de ir para casa, porque isto [Senado] está ficando insuportável, insustentável. Quem me conhece, sabe que isto aqui não me dá lucro". 

Defesa

A bancada tucana saiu em defesa de Tasso. O líder do partido Arthur Virgílio (AM) disse que o correligionário é digno de respeito, e que nunca fez mal uso de suas verbas. 

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que Tasso é um exemplo para o Brasil e que ele paga para trabalhar, pois estaria ganhando mais dinheiro caso se dedicasse exclusivamente à atividade empresarial.

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